by Gabriela Carvalho | Mai 8, 2025
Teve lugar no passado dia 7 de maio a primeira recitação do terço nas ruas da cidade da Amadora. Foi um momento de oração, luz e música, foi simples e bonito, como tudo o que nasce no coração de Nossa Senhora. Com Maria viveu-se um momento de proximidade entre os que participaram e destes com a cidade, promovendo o espírito sinodal de uma Igreja que se faz ao caminho, que vai pelo seu pé, sujando os sapatos, para se fazer presente e dizer como Maria: Sim, faça-se em mim…

Para a semana, dia 14 de maio, pelas 21h, encontramo-nos na urbanização Casas do Lago.
Gabriela Carvalho
by Margarida e Fernando Rodrigues | Mai 6, 2025
O mês de maio é um mês muito significativo para a nossa família. Desde muito cedo, fomos dando conta que, também para a avó Maria, em particular, e restante família, no geral, Nossa Senhora tinha um lugar importante nos seus corações e nas suas vidas. Fomos dando conta que, como partilhou o Papa João Paulo II, ao encontrar o pai ajoelhado aos pés de Jesus a rezar, a imagem cunha fundo as nossas almas.
Quando casámos, foi a Jesus e Sua Mãe que dedicámos o primeiro espaço da nossa casa. Coroámos Maria como Rainha da nossa casa e da nossa vida. Ao cuidado da Mãe de Jesus e nossa Mãe, entregámos a nossa educação e a dos nossos filhos. Na aliança de amor que fizemos com Nossa Senhora, sentimo-nos seguros e confiantes. Ela nunca nos falhou, nunca deixou de nos acolher ou de apontar caminho, rumo ao coração do outro, e por isso, de Jesus.
Com os filhos, fomos fazendo caminho. Em casa, havia um lugar de respeito e de encontro, onde todos os dias nos reuníamos (por cinco minutos que fosse) para espontânea e livremente partilharmos o que nos ia na mente e na alma. Foi aí, que aprendemos que é importante pedir, quando se confia, mas é muito mais importante agradecer, o muito que nos é dado em cada dia (comecem por agradecer três coisas, por cada uma que pedem. Verão do que estamos a falar). A propósito, um autor desconhecido dizia: “Não são as pessoas felizes que são gratas, são as pessoas gratas que são felizes.”
Das muitas memórias que temos a graça de poder colher, partilhamos uma das que muito nos marcaram: certo dia, bate-nos à porta a polícia, para nos informar que teríamos de abandonar, de imediato, a nossa casa, por haver uma possibilidade de ameaça de bomba. Era noite, estávamos já de pijama, robe e chinelos, prontos a mergulhar no vale dos lençóis, tão apetecível três turnos de trabalho depois (o primeiro, até deixar os miúdos na escola; o segundo, no emprego e o terceiro, de volta à recolha dos miúdos, até que aterrassem na cama). Expeditamente, acolhemos o pedido dos polícias, explicámos aos rapazes que tínhamos de sair com urgência. O Tomás (com 8 anos) e o Pedro (com 5 anos), muito preocupados, interpelaram-nos sobre o que levar, pois não lhes fazia sentido ficar sem nada, perante a possibilidade de perder a casa. Não tardamos a explicar que as nossas vidas eram mais importantes e que, com certeza, tudo correria bem e regressaríamos, depois de os polícias fazerem o seu trabalho. O Tomás, ainda que apreensivo, lá saiu de casa, afinal, acabara de começar uma aventura imperdível. O Pedro, ao sair da porta de casa, muito aflito, pede para voltar lá dentro. Apesar de reafirmarmos a real e urgente necessidade de sair, com a genica de quem tinha tomado a decisão mais importante do mundo, corre, entra em casa e, quando volta, traz Nossa Senhora nas mãos. Convicto afirma: “Ela não pode ficar, tem de vir connosco.” De facto, o Pedro tinha razão. Deixar a Rainha da nossa casa para trás, Aquela com quem nos sentávamos todos os dias para partilhar a vida, seria como deixar uma parte de nós. Foi muito comovente perceber que a identidade e o sentido de pertença estavam conquistados.
by Padre Fernando R. da Fonseca, SCJ | Mai 6, 2025
O Padre Leão Dehon, fundador da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, Dehonianos, nasceu a 14 de março de 1843, em La Capelle, diocese de Soissons, em França.
A família e os estudos e a vocação
Filho de uma família burguesa rural, recebeu uma boa educação. A mãe, Estefânia Vandelet, mulher piedosa, formou-o na fé e transmitiu-lhe a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. O pai, Júlio Dehon, homem bom, não frequentava a igreja. Aos 14 anos de idade, Leão sentiu o apelo de Deus para se tornar sacerdote. O pai opôs-se. Tinha outros sonhos para o filho. Assim, quando concluiu os estudos liceais, Leão matriculou-se em Direito, na Sorbonne.

Doutor em Direito
O jovem estudante encontrou em Paris bons sacerdotes que o ajudaram a crescer na fé e a dar resposta à sua vocação. Todas as manhãs, antes de sair para as aulas, com o amigo Leão Palustre, estudante de História e Arqueologia, rezava, lia e meditava a Sagrada Escritura. Os dois jovens empenharam-se também na catequese das crianças, na Conferência de São Vicente de Paulo, e frequentavam os grupos de estudantes que debatiam questões políticas, sociais e religiosas da atualidade.
Aos 21 anos, Leão Dehon alcançou o grau de doutor em Direito Civil. Regressou à sua terra e, em casa, informou os pais de que estava decidido a cumprir o sonho de ser sacerdote. Gerou-se grande tensão na família. O pai continuava a opor-se. A mãe chorava. Interveio o amigo Leão Palustre, que o acompanhara, propondo ao Sr. Júlio Dehon que deixasse o filho acompanhá-lo numa viagem pelos Balcãs, Grécia, Egito e Médio Oriente. Júlio Dehon aceitou a proposta, na esperança de que a viagem fizesse esquecer ao filho a vocação.

Peregrino no Médio Oriente
Os dois amigos partiram para uma longa viagem de nove meses. O interesse pela arte, pela história e pela arqueologia dominou-lhes o espírito até chegarem a Jerusalém. Ali, como recorda Leão Dehon, a viagem tornou-se fervorosa peregrinação, até porque chegaram em plena Semana Santa. O jovem doutor mais se firmou no propósito de se tornar sacerdote.
Em Roma
No regresso, ao chegarem à Áustria, Leão Palustre prosseguiu a viagem para França, enquanto Leão Dehon seguiu para Roma. Ali conseguiu uma audiência com o Papa Pio IX, a quem expôs o seu projeto vocacional. O Papa aconselhou-o a matricular-se no seminário francês junto ao Panteão. Dehon foi a França despedir-se da família e regressou a Roma para iniciar a sua formação com vista ao sacerdócio.
Na Cidade Eterna, Leão Dehon doutorou-se em Filosofia, Teologia e Direito Canónico. Participou como estenógrafo no Concílio Vaticano I, facto que lhe deu uma excelente experiência e visão da Igreja. Foi ordenado sacerdote a 19 de dezembro de 1868, celebrando missa nova no dia seguinte. Os pais participaram nas celebrações. O Sr. Júlio Dehon, finalmente rendido, voltou à prática religiosa.

Na fundação da Congregação
Em novembro de 1871, o jovem sacerdote tornou-se sétimo vigário na Basílica de S. Quintino, na sua diocese, Soissons. Preocupado com a situação religiosa e social da paróquia, iniciou uma série de atividades que culminaram na Obra de São José, verdadeiro centro paroquial com diversas valências para apoio de crianças, adolescentes, jovens, adultos e famílias. Ali era dada a todos boa formação cristã, cívica e social. Havia uma caixa de poupança para os operários e uma cooperativa para construção de casas. Círculos, ou grupos de estudo, procuravam dar formação adequada a operários e patrões. Para a Juventude, Dehon criou o Colégio São João. Para divulgar a doutrina social da Igreja, organizou congressos, criou um jornal, escreveu em revistas e publicou diversos livros que tiveram grande sucesso.
Em 1878, o Padre Dehon emitiu os seus votos religiosos diante de uma bela imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração, que lhe fora oferecida por Pio IX. Assim deu início à Congregação dos Sacerdotes do Coração do Jesus, ou Dehonianos, que vivem da sua inspiração evangélica e continuam a sua missão na Igreja e no mundo.
Depois de uma vida longa e intensa, ao serviço do Reino do Coração de Jesus, o Padre Dehon faleceu santamente a 12 de agosto de 1925, em Bruxelas. Celebra-se este ano o centenário da sua morte e inicia-se um período de preparação para o jubileu dos 150 da fundação da Congregação, em 2028.
Com o seu grande amor ao Coração de Jesus, o Padre Dehon cultivava uma especial devoção ao Coração Imaculado de Maria e a Nossa Senhora do Sagrado Coração… Escolheu como saudação habitual entre os seus religiosos a expressão: “Viva o Coração de Jesus; por meio do Coração de Maria”. A seu exemplo, os Dehonianos prestam particular amor ao Coração de Jesus, na sua disponibilidade para cumprir a vontade de Deus Pai — Eis-me aqui! — e grande devoção a Maria, também ela disponível para os projetos de Deus Pai: eis a serva do Senhor!
by Padre Miguel Romão Rodrigues | Mai 6, 2025
Creio que todos encontramos esse desejo, quase primário em nós, de nos sentirmos olhados, de que reparem em nós. Particularmente, no que diz respeito àqueles por quem temos maior admiração. Mas este não é um texto sobre nós, é um texto sobre Francisco, sucessor de Pedro, e uma tentativa (espero que não simplista) de procurar ilustrar, de alguma forma, o dom que a sua vida entregue foi para cada um de nós, para a Igreja e para o mundo.
De facto, havia no Papa Francisco essa predileção por nós (por este jardim da Europa à beira-mar plantado, nas palavras de Tomás Ribeiro) que eventualmente há de ter começado na desarmante visita a Fátima, aquando do Centenário das Aparições, em 2017. O mar de luz ali congregado arrebatou o coração do Pontífice, deixando-nos as marcantes palavras ainda hoje impressas no coração e na oração de muitos: “Temos Mãe.”
Essa visita, de forma especial, mas todo o seu pontificado até então, foi preparando o coração de todos para o seu aguardado regresso a terras lusas em agosto de 2023. Preparação essa que se distendeu no tempo, porém sempre marcada pela pressa salutar de receber a Jornada na nossa casa, o que significava acolher o sucessor de Pedro, que novamente se demoraria nesta nossa querida terra. A sua passagem foi pensada ao pormenor, e os locais escolhidos de forma quase cirúrgica, como quem executa um plano bem traçado, previamente esboçado no coração. Muito nos foi deixado, qual legado que não pode ficar esquecido. As palavras foram claras, e ficaram, de alguma forma, marcadas nas nossas vidas. Vidas gastas e entregues na preparação do evento que tocou o coração de muitos, até dos mais descrentes. Discursos vivos, brotantes do seu coração de pastor atento, por vezes improvisados, mas que revelaram a todos a sua profunda sabedoria, radicada no amor por Jesus Cristo e pelo Seu Evangelho, assim como a sua paternidade, exercida com a autoridade própria da missão que o nosso Bom Deus houve por bem confiar-lhe, confirmando o que já íamos intuindo a partir do exercício do seu ministério petrino, sempre próximo e tão humano.
Passou muito perto de todos nós, suscitando (eventualmente sem o saber) muitos movimentos e iniciativas, particularmente no interior dos corações, o que se manifestou num sem-número de ações absolutamente inesperadas, provindas dos mais surpreendentes quadrantes. Somos-lhe gratos, sem dúvida, pela disponibilidade que lhe reconhecemos à vontade de Deus, e pela abertura de coração às moções que o Evangelho foi sulcando no seu íntimo, ao longo dos anos, que se revelou para toda a Igreja e para o mundo como voz profética para este tempo que atravessamos. Foi justamente isso que permitiu trazer ao de cima o melhor de todos, particularmente na circunstância que nos coube, mas que se estendeu, em muitas ocasiões, a um movimento quase universal.
O desafio agiganta-se agora diante de nós: somos herdeiros deste legado que nos deixou. Legado esse que se distende desde a misericórdia infinita de Deus, convidada a ser traduzida em gestos quotidianos concretos, passando pela alegria como marca distintiva de quem procura viver em Cristo e segundo o Seu Evangelho, destacando a fraternidade universal a que somos chamados, bem como a dignidade infinita de cada pessoa humana, sem exceção, culminando na Esperança como caminho rasgado no hoje da história, como possibilidade de antevisão de um horizonte há muito esquecido ou tido como inalcançável, por um mundo cada vez mais ensimesmado e desiludido face à possibilidade de um caminho que conduza a algum lugar.
A memória do Papa Francisco ficará gravada nos corações, tanto quanto vemos e sabemos, mas isso apenas será relevante na medida em que ousarmos abraçar os sonhos que nos propôs sonhar. Essa medida, vivida pelo próprio na primeira pessoa, a medida do sonho, necessita de pautar os nossos gestos e decisões, a fim continuarmos com coragem o caminho que diante de nós não temeu abrir.
Francisco, Papa Francisco, esperamos verdadeiramente que estejas em Deus, a Quem procuraste servir e amar, na simplicidade da tua vida entregue. Como sempre fizeste, ajuda-nos a pôr os olhos n’Aquele a Quem seguiste e para Quem sempre apontaste, para que nos anime o mesmo sonho que te conduzia, que não começando nem acabando em ti, procuraste realizar, na parte que te cabia.
by Paróquia da Amadora | Mai 3, 2025
Estamos em maio, o mês de Maria, e por este motivo, o grupo Novo Rumo decidiu desafiar a comunidade a participar no projeto Flores para Maria. O que é pretendido com o desafio é criar um painel de flores feitas em croché que irá acompanhar a procissão e terço em honra de nossa senhora a realizar no dia 30 de maio.

Este desafio é para toda a comunidade paroquial, mas também para toda a cidade da Amadora, para os que estão mais isolados e sós e para as instituições que possam querer participar neste desafio de arte orante.
Depois de entregues, as flores em croché irão ser unidas e dispostas em conjunto de forma harmoniosa, criando um painel que refletirá o amor e a dedicação daqueles que as elaboraram, transformando cada detalhe numa oração silenciosa e profunda de todos e de cada um. As flores deverão ter no máximo 10 cm de diâmetro ou de lado, poderão ser feitas com linha de qualquer espessura e cor, devendo ser entregues até ao dia 25 de maio, no cartório, nos horários habituais, ou colocadas no cesto que estará junto à imagem de Nossa Senhora da Conceição.
by Joaquim Franco | Mai 3, 2025
A pergunta impõe-se: Que país queremos ser? O filósofo Mário Sérgio Cortella baliza as grandes tensões do comportamento humano entre o «quero», o «devo» e o «posso». Há coisas «que eu quero, mas não devo, há coisas que eu devo, mas não posso, há coisas que eu posso, mas não quero». O homem só consegue a «paz de espírito» quando «o que quer é o que pode e deve». As relações constroem-se neste eixo de dilemas, os critérios da demanda ética.
O país que queremos ser terá de ser também o que podemos e devemos ser com os povos e países que partilham o nosso «espaço». Os que nos são mais próximos em contexto regional e cultural, nas dificuldades e incertezas, com o devido enquadramento político e, consequentemente, de ética política e social. Mas um país que «quer ser», nos parâmetros da liberdade e da justiça, tem de ser capaz de pensar e repensar o futuro de forma soberana, com a cidadania como alicerce intransmissível. Salienta a economista Manuela Silva que as políticas públicas se inverteram. O objetivo é o défice e não o desenvolvimento económico-social e o bem-estar das populações. «Passaram as condicionantes a objetivos.» Acentuou-se o desequilíbrio. O País tende a ser o que podemos ter e é cada vez menos o que queremos e devemos ser, perdendo o azimute da justiça social.
Reformar, neste contexto, pode pôr em risco a já debilitada a confiança na democracia. Ora, a confiança é fator mais importante para o sucesso. Qualquer sucesso. No diálogo político e social, ganhar confiança exige a coerência e o exemplo. É difícil obtê-la e muito fácil perdê-la.
Alain Peyrefitte reflete sobre o «ethos de confiança», sustentado no exemplo das estruturas de inspiração religiosa, mobilizadoras da sociabilidade de grupo, da proximidade e da partilha, da escuta e da «verdade», capazes de contrariar o individualismo liberal ou os pragmatismos pessimistas e cortantes. Uma dinâmica com a salvaguarda do eterno «abstrato» e «inatingível», enquadrada-se numa «procura» que se concretiza nas relações entre as pessoas e das pessoas com o «desconhecido», desencadeando uma orientação ética e moral. O «quero», mediado pelo «posso» e pelo «devo». Vislumbra-se a cultura da ação na base da gratuitidade, que acaba por ir além da própria dinâmica religiosa, contagiando uma cidadania ativa e direta, que encontra soluções onde a criatividade teórica não chega, que não prescinde do olhar, do encontro e dos afetos.
Criou-se um paradigma de vivência e convivência, alicerçado na dimensão do consumo, na tentação do supérfluo. O gozo pontual e vicioso de «ter» sobre o princípio do «ser». Um estilo de vida mais materialista que, como se vê, entrou em fase de esgotamento. (…)
A ambição, entre a utopia e o desafio de humanidade é a de fazer com que este conceito de desenvolvimento, integral e sustentável, que começa numa opção individual, se sobreponha aos gráficos estatísticos de um qualquer crescimento económico, numa qualquer conferência de imprensa, de um qualquer ministro e qualquer que seja o governo.
Esta é a mais importante «refundação» que um povo pode fazer. Pode e deve. Mas será esse o país que queremos ser?
In Com Franqueza…, Paulinas Editora, 2015 (adaptado)
Publicado inicialmente a 27 de novembro de 2012