Terço na Rua | 28 maio | Praça da Igreja

Terço na Rua | 28 maio | Praça da Igreja

No passado dia 28 de maio, à porta da Igreja Matriz da Amadora, decorreu o último “Terço na Rua”, iniciativa projetada para o mês de maio, mês que especialmente dedicamos a Maria.

A importância deste projeto para a nossa comunidade foi notável. Notável pela novidade em que consistiu, pela singularidade que se revelou, pelo interesse que suscitou ao longo das semanas e que se manifestou numa crescente adesão dos paroquianos. À maneira de Jesus, que se expressava tantas vezes através de parábolas, mergulhámos na profundidade das histórias que acompanharam cada mistério, ao mesmo tempo que cada Ave Maria ecoava como um convite à reflexão das mesmas.

Uma das principais dimensões de qualquer cristão é a vertente evangelizadora: “A vocação da Igreja é evangelizar; a alegria da Igreja é evangelizar”, ensinou-nos o Papa Francisco. E como não olhar para esta iniciativa como intrinsecamente evangelizadora?

© Gabriela Carvalho

© Gabriela Carvalho

© Gabriela Carvalho

 

Como disse o nosso estimado Padre Carlos neste último terço, os contos selecionados para a meditação dos mistérios estão todos no Evangelho. À partida, podemos não conseguir estabelecer uma relação direta e imediata entre o que lemos e escutámos ao longo das últimas semanas e o Evangelho, mas, se ponderarmos bem, de facto, está lá tudo. Evangelizar não significa debitar a Palavra inocuamente e irmo-nos embora. Evangelizar significa viver a Palavra, deixar que se incorpore em nós, permitir que atue em nós, possibilitar que, ao olhar para nós, afirmem: “Vejo algo do Evangelho em ti e algo de ti no Evangelho.” Significa, portanto, torná-la compreensível e acessível a todos, todos, todos, por intermédio de cada um e para cada um. Evangelizar através do terço é semear fé e esperança, mistério após mistério, conduzindo corações a Cristo através de Maria.

Assim foi, ao longo destas quatro semanas, em que saímos da Igreja, em missão, em que nos encontrámos em diversos locais ao ar livre para rezar o terço, unidos naquele ambiente de oração maravilhoso, uma experiência inolvidável.

O último “Terço na Rua”, por agora. Quem sabe, não surgirá em breve outra iniciativa semelhante. Estamos no bom caminho. Com Deus, por intermédio de Maria. Prossigamos!

 

Fábio Silva

 

Somos capazes de vencer os nossos medos?

Somos capazes de vencer os nossos medos?

A partida de Jesus, a sua entrada definitiva no mistério do Pai, marca uma etapa nova na história da salvação. Nesse dia começa o tempo da Igreja, o tempo em que a responsabilidade de testemunhar a salvação de Deus fica nas mãos dos discípulos. Eles acolheram o convite de Jesus, dispuseram-se a segui-l’O, ouviram as suas palavras, viram os seus gestos, aprenderam as suas lições, foram formados na sua “escola”. Conhecem o projeto de Jesus e adotaram-no como projeto de vida. É altura de se mostrarem adultos e responsáveis na vivência da fé. Não podem continuar “à boleia” de Jesus, à espera que Jesus faça tudo. Compete-lhes agora continuarem no mundo, com alegria, criatividade e compromisso, a obra libertadora e salvadora de Jesus. Sentimos esta responsabilidade? Somos capazes de vencer os nossos medos e hesitações, a preguiça e o comodismo, para nos assumirmos como testemunhas coerentes e comprometidas de Jesus e do seu projeto?

In site dos Dehonianos

Testemunho | Dizer “Não” Pode Ser o Maior “Sim” da Tua Vida

Testemunho | Dizer “Não” Pode Ser o Maior “Sim” da Tua Vida

Comecei a fumar por volta dos 13 ou 14 anos. Partilhava o maço com os amigos — era quase um ritual entre nós. Naquela altura, já se sabia que fazia mal, mas não se falava tanto disso. Não havia a informação, a consciência nem os alertas que existem hoje. Fumar era visto como algo normal, até com algum ar de “estilo” ou maturidade.

O que começou por curiosidade e convivência, transformou-se num vício sério. Com o tempo, passei a fumar um maço por dia, e em dias de festa ultrapassava isso com facilidade.

Fumei durante 20 anos. Fiz duas tentativas sérias para deixar o tabaco. Na primeira, consegui aguentar três meses — até ao dia em que, numa festa, decidi acender “só um”. Foi o suficiente. Voltei ao ponto de partida como se nunca tivesse parado. Percebi que, no meu caso, não há espaço para “só um”.

Na segunda tentativa, estava grávida e deixei de fumar logo que soube. Tinha a motivação, o foco e o amor a crescer dentro de mim. Sentia-me determinada e confiante de que, daquela vez, ia ser de vez. Infelizmente, às 12 semanas, tive um aborto espontâneo. O vício encontrou ali uma brecha e instalou-se novamente.

Mais tarde, engravidei novamente. Nessa altura, segui a recomendação da médica: não parar de forma brusca, mas reduzir progressivamente. O corpo, habituado à nicotina durante tantos anos, podia ressentir-se. Passei, então, a fumar 2 ou 3 cigarros por dia — um esforço enorme, mas possível com foco.

Na véspera de largar o tabaco de vez, tive uma ânsia tão forte que fumei um maço inteiro. Foi como se não houvesse amanhã. Os meus amigos ficaram preocupados — sabiam o quanto me tinha esforçado até ali. Parecia que ia tudo por água abaixo. No entanto, no dia seguinte, não toquei num cigarro. E, surpreendentemente, nem me apetecia. Os dias foram passando, e esse momento ficou para trás. Nunca mais voltei a fumar.

Desde 25 de Fevereiro de 2005 que celebro esse dia como um verdadeiro renascimento. Uma vitória sobre a dependência. Um passo decisivo que mudou a minha vida — para melhor.

Claro que houve dias difíceis. A tentação apareceu em festas, em momentos de stresse, em alturas em que “só um” parecia inofensivo, mas resisti. E continuo a resistir. Hoje, olho para trás e reconheço que deixar de fumar foi uma das decisões mais difíceis da minha vida e também uma das mais importantes.

Ganhei muito com essa escolha: recuperei o paladar, o olfato, voltei a respirar melhor, a ter mais energia. As pequenas coisas — como saborear uma refeição, subir escadas sem ficar ofegante, ou simplesmente sentir o cheiro da terra molhada — tornaram-se dádivas.

Mais importante ainda, recuperei a liberdade. A liberdade de não depender de um cigarro para lidar com emoções, rotinas ou pressões, e acima de tudo, a liberdade de viver melhor.

Hoje sei, sem sombra de dúvida, que não posso voltar a fumar. Se pegar num cigarro, sei que vou regressar ao mesmo vício, ao mesmo ciclo. Por isso, não arrisco. Aquilo que ganhei é muito mais valioso do que qualquer cigarro.

Se estás a pensar em deixar de fumar, acredita: é possível. E não precisas de fazer tudo de uma só vez. Cada tentativa é válida. Mesmo quando parece que se falhou, está-se a aprender, a preparar o caminho. Há sempre uma nova oportunidade de recomeçar. Não te rendas.

E se nunca começaste, melhor ainda. Fica longe. Não vás por aí. Como qualquer vício, é muito fácil começar, mas muito difícil parar. O que parece inofensivo ao início, pode transformar-se num peso enorme. E ninguém precisa disso para ser aceite, ter estilo ou fazer parte.

Com persistência, apoio e fé, é possível vencer o que parece impossível. Quando damos esse passo, não estamos só a deixar um vício. Estamos a escolher a vida que Deus nos dá, um presente precioso que merece ser cuidado e valorizado todos os dias. Dar esse passo é um acto de coragem e de amor — por nós, pelos que nos rodeiam, e pela vida que Ele nos confiou.

Ana Freire Fura

 

31 maio | Dia Mundial Sem Tabaco

31 maio | Dia Mundial Sem Tabaco

No dia 31 de maio, assinala-se o Dia Mundial Sem Tabaco, uma data que convida à reflexão sobre os impactos do tabagismo na saúde pública e à celebração dos progressos alcançados em Portugal.

 

📉 Evolução do consumo de tabaco em Portugal

Desde o início do século XXI, Portugal tem registado uma redução significativa na prevalência de fumadores. Em 2005, cerca de 20% da população com 15 ou mais anos era fumadora. Em 2019, esse número diminuiu para 16,8%, conforme dados do Inquérito Nacional de Saúde.

Esta tendência positiva é resultado de políticas públicas eficazes, campanhas de sensibilização e uma maior consciencialização sobre os riscos associados ao tabagismo.

🩺 Impacto do tabaco na saúde

O consumo de tabaco está diretamente associado a várias doenças graves. Em 2019, estimou-se que o tabaco contribuiu para mais de 13.500 mortes em Portugal, incluindo cerca de 1.700 por exposição ao fumo passivo.

As principais doenças relacionadas com o tabagismo incluem:

  • Cancros: O tabaco é responsável, pelo menos, por 30% de todas as mortes por cancro.
  • Doenças respiratórias: incluindo bronquite crónica, enfisema e exacerbação da asma.
  • Doenças cardiovasculares: O tabaco aumenta significativamente o risco de doenças como enfarte do miocárdio e AVC.

🌟 Benefícios de não fumar

Optar por não fumar ou deixar de fumar traz benefícios significativos para a saúde:

  • Melhoria da função pulmonar: A capacidade respiratória aumenta, facilitando atividades físicas e reduzindo a fadiga (72 horas após deixar de fumar a respiração torna-se mais fácil e os brônquios relaxam; após duas semanas a 3 meses, a circulação sanguínea melhora e a função pulmonar aumenta)
  • Redução do risco de doenças: diminui significativamente o risco de desenvolver doenças cardiovasculares (o risco de AVC é reduzido para o equivalente ao de um não fumador após 5 anos sem fumar), cancros (10 anos depois da cessação tabágica, o risco de cancro do pulmão diminui para metade) e doenças respiratórias.
  • Melhoria do paladar e olfato: os sentidos do gosto e do olfato tornam-se mais apurados, logo ao fim de 48 horas sem fumar.
  • Benefícios económicos: A poupança financeira é considerável ao eliminar o gasto com produtos de tabaco. Em 2025, o preço médio ponderado de um maço de 20 cigarros em Portugal é de 5,16  euros (*365=1.883,4), conforme divulgado pela Autoridade Tributária e Aduaneira. Um fumador que consuma 1 maço por dia, fará uma poupança anual de 1.880 euros, aproximadamente.
  • Ambiente mais saudável: Reduz-se a exposição de familiares e amigos ao fumo passivo, promovendo um ambiente mais saudável para todos.

Além disso, deixar de fumar melhora a qualidade de vida, aumenta a energia, reduz o stresse e proporciona uma maior sensação de bem-estar.

 

🏥 Vive na Amadora e quer deixar de fumar? Peça ajuda!

Para quem reside na Amadora, existem várias instituições que oferecem apoio na cessação tabágica:

  • Centro de Saúde da Amadora: Disponibiliza consultas de cessação tabágica com acompanhamento médico e psicológico.

UCSP Amadora 9 – Largo Dr. Dário Gandra Nunes, n.º 1 – R/C ao 4.º
2704-511 Amadora
Horário – 2.ª a 6.ª feira: 8h às 20h
Telefone – 214930113
Emailucsp.amadora@ulsasi.min-saude.pt

Além disso, a Direção-Geral da Saúde disponibiliza recursos e materiais de apoio através do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo (https://www.dgs.pt/programa-nacional-para-a-prevencao-e-controlo-do-tabagismo/quer-deixar-de-fumar.aspx).

Neste Dia Mundial Sem Tabaco, reforçamos a importância de escolhas saudáveis e conscientes. Deixar de fumar é um passo significativo para uma vida mais longa e de melhor qualidade. Seja para si ou para alguém próximo, o apoio está disponível e os benefícios são inegáveis.

 

10 passos para deixar de fumar

  1. Marque um dia concreto para deixar de fumar (no prazo máximo de 15 dias). Escolha um dia de que goste, um aniversário de alguém importante, o dia do seu clube ou o seu feriado favorito. Assim, poderá celebrar com mais alegria e motivo!
  2. Até chegar o dia marcado, faça alguma preparação: enumere razões para deixar de fumar e treine pequenos períodos de abstinência. Uma hora, uma tarde, um fim de semana. São treinos para a grande prova.
  3. Conheça o fumador que há em si: quando é que fuma mais? E quantos cigarros? Quando é que fuma por estar aborrecido?
  4. Comunique a decisão às pessoas mais próximas para se sentir mais apoiado. Para ter ainda mais impacto, faça uma minicelebração – afinal é sempre bom estar em festa com aqueles de quem mais gostamos.
  5. Os efeitos secundários podem durante alguns dias (ou semanas). Poderá sentir-se ansioso, inquieto e irritado. Também pode ter dificuldades para dormir e se concentrar. Lembre-se que nada dura para sempre e que já muitas pessoas estiveram no seu lugar. Também vai conseguir. Quando sentir mais ansiedade, beba um copo de água ou faça uma curta caminhada, nem que seja até à varanda. Se o ataque for de inquietação ou irritação, aumente o volume do rádio e cante, para o mundo ou só par ao colega do lado.
  6. As razões que o levaram a deixar de fumar têm de estar sempre presentes. Faça uma lista daquilo em que vai empregar o dinheiro que poupar.
  7. Faça uma alimentação saudável, para evitar o aumento de peso. É normal substituir um consumo por outro, mas cuidado com os excessos: de doces, de salgados…
  8. Evite locais de fumadores e afaste objetos que lhe lembrem o tabaco – ex. cinzeiros e isqueiros. Aproveite e faça uma remodelação da sala e do escritório.
  9. Pratique atividade física, pois ajuda a controlar a ansiedade e permite-lhe estar em boa forma. Além disso, vai encontrar outros ex-fumadores ou pessoas que continuam no processo de tentar.
  10. Não desista: se tiver uma recaída, fixe uma nova data e volte a tentar. Afinal, não se ganham medalhas só com uma prova!

 

“A cultura da vida é um património que nós cristãos devemos partilhar com os outros. Toda a vida humana, é única e irrepetível, tem um valor inestimável e isso deve ser repetidamente proclamado, com a coragem das palavras e das ações. É importante lembrar e tomar consciência de que a saúde física é um dom de Deus, que nos é dado para que cuidemos com responsabilidade.”

Papa Francisco, 31 maio 2018

 

Fontes:
Fundação Portuguesa Cardiologia (https://www.fpcardiologia.pt/)
Direção-Geral de Saúde (https://www.dgs.pt/)
SNS (www.sns24.gov.pt)
Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (https://www.spmi.pt)

 

Luta contra a pobreza

Luta contra a pobreza

Já nos habituámos às campanhas de recolha de alimentos do Banco Alimentar nos meses de maio e dezembro, pelos supermercados de todo o país. Estas campanhas são as mais conhecidas e mediáticas, mas outras organizações, às vezes, também as fazem, como, por exemplo, a Cruz Vermelha Portuguesa.

O olhar do cidadão comum sobre este tipo de iniciativas varia. Há pessoas mais solidárias que, com vontade e ânimo, contribuem com o que podem. Outras, com alguma desconfiança, também oferecem alguns bens. Algumas, muito desconfiadas e até descrentes relativamente à finalidade dos alimentos, não dão nenhum contributo.

Afinal, o objetivo é garantir o direito à alimentação das pessoas mais carenciadas, que está contemplado no Artigo 25.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nem sempre este direito é garantido, mesmo para quem trabalha, já que em Portugal uma em cada dez pessoas que trabalham está em situação de pobreza[1].

A verdade é que ainda há muitas pessoas em Portugal que vivem em situação de pobreza, especialmente crianças e idosos. Em 2023, em Portugal, 17,8% de crianças e jovens, 14,4% de pessoas adultas e 21,1% de idosos viviam em situação de pobreza[2].

Em Portugal, uma pessoa que viva com menos de 632 €/mês está em risco de pobreza[3], ou seja, está privada das condições de acesso a uma vida digna.

São valores que nos devem fazer pensar!

 

Se precisa de ajuda ou conhece alguém que precise, atente nestas orientações:

  • Dirija-se à Junta de Freguesia da zona onde vive e peça o agendamento de um atendimento social

Junta de Freguesia da Venteira – Rua 1.º de Maio, n.º 39 A – 21 498 55 80 e 934943549 – geral@jfventeira.pt
Junta de Freguesia Mina de Água (Mina) – Avenida Movimento das Forças Armadas n.º 16 – 21 493 20 35 – geral@jf-minadeagua.pt
Junta de Freguesia Mina de Água (S. Brás) – Praceta Moinho da Boba, n.º 10 C e D – 21 498 69 80
Junta de Freguesia Mina de Água (Delegação Carenque) – Estrada das Águas Livres, n.º 168 A/B – 214 063 206

 

Se gostava de ajudar, também aqui ficam algumas sugestões:

  • Campanha de recolha de alimentos pelo Banco Alimentar – nos próximos dias 31 de maio e 1 de junho (no LIDL da Venteira e Continente Bom Dia)
  • Sociedade de S. Vicente de Paulo (Vicentinos) na Amadora – Rua da Venteira, n.° 12 A (perto da igreja), de 2.ª a 6.ª das 14h às 18h
  • Consignar 1% do IRS a uma Instituição de Solidariedade Social, colocando o NIF quando estiver a preencher o IRS (não terá custos acrescidos)

 

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[1] Fonte: PORDATA no âmbito do dia Internacional para a Erradicação da Pobreza em 2024
[2] Fonte: INE, ICOR 2022-2024
[3] Fonte: INE