by Andreia e João Leite | Mai 3, 2025
Dizem que o Tempo é igual para todos…
…só que não.
Vamos comprovar através deste texto que esta frase é algo romantizada e que vem de pessoas que ainda não convivem diariamente com pequenos clones delas próprias.
Mostraremos que o tempo de um solteiro é 10 vezes superior ao de alguém que tem como nome Pai ou Mãe.
Algumas ressalvas e contexto inicial antes de vos darmos o exemplo:
– Somos uma família de cinco [Andreia (M), João (P), Gonçalo (F1), Benjamim (F2) e Martim (F3)]
– Adoramos ser pais e adoramos os nossos filhos… mas…
…aqui fica o exemplo do espaço temporal!
Imaginem algo tão simples como entrar no carro
Cenário 1 (Pais com filhos)
M – Meninos desçam e vão entrando para o carro que o vosso pai já está a acabar de se calçar.
Passados 5 minutos…
P – Podem por favor desligar a televisão e descer como a vossa mãe vos pediu?
F1 e F2 – Ok, Pai e Mãe, estamos a ir, calma!!!!!
Passados 5 minutos…
M – Podem parar de jogar à bola e entrar de vez no carro???
F1 – Calmaaaa mãe!!!
F2 – Eu vou no meio!!!
F1 – Não vais não porque foste da outra vez!!
F2 – Mas tu vais sempre!
F1 – Ó pai, o mano não me deixa ir no meio!!
P – Gonçalo, por favor não discutas isso, és o mais velho e já estamos atrasados. Não discutam por causa de lugares!
F1 – Então posso ir à frente?
P – Não!
F1 – Porquê, eu já posso andar à frente!!
P – E a tua mãe senta-se onde?
F1 – Vem atrás com os manos!
P – Gonçalo entra no carro por favor!!!
Entretanto, a mãe traz o mais novo para a cadeirinha do carro
M – João, podes ir fechar a casa por favor para irmos embora enquanto coloco o Martim?
Mais 2 minutos para trancar tudo…
P – Porta fechada, vamos embora?
M – O Martim acabou de fazer o número 2. Precisamos de o ir trocar.
Passados 7 minutos…
M – Pronto. Martim trocado, vamos embora?
F2 – Pai, os chapéus?
P – Não os trouxeram?
F2 – Não sabíamos onde estavam…
Passados mais 3 minutos à procura de chapéus…
P – Tudo sentado, fralda nova e chapéus colocados, certo? Vamos embora?!?
Todos – Sim!!!!
Tempo estimado = 25 minutos
Cenário 2 (Solteiros e Pais sem filhos)
S1 – Estás pronto?
S2 – Sim, e tu?
S1 – Também
S2 – Vamos embora?
Todos – Sim!!!
Tempo estimado = 25 segundos
O Tempo não é efetivamente igual para todos.
Pelo contrário, é bem diferente.
Mas um diferente bom, quando bem aproveitado.
Sabíamos que íamos abdicar dos nossos 25 segundos de tranquilidade, para termos 25 minutos de loucura quando decidimos criar família.
Se temos saudades dos 25 segundos? Sim, claro, mas estes são mais rápidos e facilmente se podem repetir.
Se adoramos os 25 minutos de loucura? Nem sempre. Estes certamente vão acabar um dia e teremos alguma saudade.
Não há um tempo certo e outro errado. Simplesmente são diferentes.
Que saibamos aproveitar essa diferença, o tempo individual e o tempo com cada pessoa que passa nas nossas vidas (com filhos ou sem filhos).
Andreia Vaz e João Leite
by Júlia Costa | Mai 3, 2025
O dia 28 de abril de 2025 ficará para a história como o dia do maior apagão dos últimos tempos. Foi um dia negro, percebemos as vulnerabilidades existentes ao nível da rede elétrica e das comunicações, bem como o nosso desleixo em acautelar o que podem ser imprevistos que impliquem a nossa sobrevivência no imediato. Foi um bom teste às capacidades estruturais do país e a cada um dos cidadãos, pena é que tenha sido uma imposição e não um simulacro de prevenção.
O caos instalou-se a partir das 11h33. Pensou-se que seria avaria local, era geral, aliás, nacional, era a Europa… o mundo inteiro. Era urgente saber o que tinha acontecido, resolver e descobrir o culpado – tem de haver sempre alguém a quem apontar o dedo e julgar – Foi um ciberataque, foram os russos, o Trump, o Musk, é a terceira guerra mundial. Pânico! Começa a corrida aos supermercados, às estações de serviço, era preciso pilhas, papel higiénico, enlatados, gás, papel higiénico, água engarrafada, papel higiénico – nunca percebi a loucura do papel higiénico. Os telemóveis foram perdendo a carga, a Internet, a rede móvel… e agora? Solução: rádio do carro! Nas viaturas recentes carregaram-se powerbanks e telemóveis, tudo o que era possível, desde que os veículos não fossem elétricos porque nesses era preciso contenção. Esperar… e as horas a passar… O comércio fechou portas, os serviços sem sistema informático… e as horas a passar… Era preciso ir buscar as crianças às escolas e regressar a casa. Não havia previsão de restabelecimento, falou-se em 72 horas. E a comida nos frigoríficos? Ia estragar-se! Foi a angústia na restauração, o prejuízo? O trânsito um caos. Os semáforos não funcionavam, os comboios e o metropolitano parados desde o início, filas sem fim para os autocarros que circulavam cheios. Sem Internet, Ubers e Bolts estão off. Os táxis, os poucos que se viam, estavam bloqueados no trânsito… e as horas a passar. Os idosos, pensou-se, os mais isolados, não tinham como saber o que se passava, que horror! A maioria safou-se muito melhor que muitos de nós: fogão a gás, rádios a pilhas e candeeiros a petróleo que há muito enfeitavam as prateleiras do louceiro da sala ou da cozinha, e… saber esperar, essa coisa de antigamente! Para as crianças, desde que os seus adultos não entrassem em pânico, foi uma aventura. Chega a notícia: o apagão aconteceu em Portugal, Espanha e uma parte de França, devido a uma falha numa central de alta tensão localizada em Espanha. Malandros dos espanhóis, sempre a tramar-nos! Nunca se falou tanto de REN, eRedes, Anacom, nunca tantos ficaram a saber tanto de eletricidade, de termoelétricas e hidroelétricas, parques eólicos e fotovoltaicos, e até de painéis solares que, afinal, precisam de um qualquer mecanismo que armazene e transforme a energia solar em elétrica: “Então o painel solar que está no telhado da minha casa, quando não há eletricidade, não serve para nada?” Pois, assim é! E as horas a passar… e já lá iam umas valentes 10 horas. Acenderam-se as velas, as lanternas e o menu foi gourmet: atum com grão ou salsichas com feijão!
Ai, o que é isto?!? Palmas e gritos – era uma revolta, um assalto, a guerra a começar – eram foguetes e fogo de artifício porque ela estava de volta, a eletricidade começava, aos poucos, a dar-nos luz e a malta, meio que descontrolada, em alívio pelos nervos que tinha apanhado, toca de buzinar, bater tampas e assobiar. As comunicações começaram a restabelecer-se, trocavam-se SMS, o WhatsApp voltou à vida. Melhor ou pior, sobrevivemos cheios de histórias para contar.
Nas redes sociais estava um burburinho, comentários sobre o bom que tinha sido parar e largar ecrãs, ir com os filhos ao parque infantil, jogar às cartas e ao dominó, cantar, ler, conversar. Vizinhos, de todas as cores e naturalidades, que nunca se falavam, estiveram nas ruas à conversa. As lojinhas do Indostão, as únicas abertas durante o apagão – afinal são úteis, não é, maltinha dos hipermercados? –, lá estiveram e até venderam fiado, confiando naqueles que, muito provavelmente, os querem ver fora do “nosso” país, mas que, ironia das ironias, não tinham notas ou moedas, só MBWay e cartões. Salvaram o dia e, certamente, pediram aos deuses e a Alá mais um apagão que os tornasse visíveis e considerados aos olhos de muitos, um apagão que lhes desse o valor que merecem enquanto pessoas e, já agora, que lhes esgotasse o stock de papel higiénico e as latas de sardinhas em tomate. Houve gente nas janelas a contemplar o pôr do sol, esplanadas cheias de amigos e colegas de trabalho a beberem bebidas frescas e a rir, tudo tão lindo… afinal, tudo tão bom, o apagão foi tão bonito!…
Mas, pergunto: é preciso que nos imponham uma paragem para pararmos? Que mundo é este, que gente, que sociedade é esta em que nos transformámos, em que é preciso uma falha elétrica para parar, escutar e olhar, mais ou menos como fazemos ao atravessar uma passagem de nível para não sermos abalroados pelo comboio, essa máquina maldita que nos devora o tempo e a razão.
Deixemo-nos de tretas, menos romantismo, mais consciência e ação! Se pensar, querer e fazer implicam adesão, compromisso pessoal, não esperemos um apagão, façamos da vida o que é preciso ser feito, não por imposição, mas porque sentimos e queremos que assim seja. Nada é garantido, não sabemos o dia nem a hora e o dia pode mesmo ser o de hoje.
by Sofia e Paulo | Mai 3, 2025
Diz-se que se valoriza a presença depois da ausência… Foi o que experienciámos durante a semana santa, em que recebemos o nosso Santiago, após pouco mais de um mês de Erasmus na Europa.
Em família acolhemo-lo, quando as saudades já apertavam bem os corações de pais e de manos… é que não tarda volta para lá, para mais três meses de ausência…
As rotinas vão desenhando os nossos dias e acabamos por vivê-los numa azáfama que vai colorindo a correria em que vivemos. No entanto, aquele conforto, aquele olhar, aquela conversa, aquele momento partilhado dá sentido às nossas vidas de uma forma profunda e marcante.
Desta vez, descobrimos que a tocar viola e a cantar todos juntos sentimo-nos mais próximos e aprendemos a conhecer-nos ainda mais e melhor! Foram momentos muito intensos e muito agradáveis. Partilhas em família, não só de notas, acordes e vozes, mas também de preferências musicais e descoberta de estilos e sensibilidades…
E é tão bom partilhar assim as vidas uns dos outros!
Percebemos, uma vez mais, como os pequenos gestos do quotidiano podem ter um impacto profundo na nossa vivência familiar. Uma refeição partilhada, um passeio ao fim da tarde, ou até uma simples troca de olhares durante uma canção criam laços que se tornam alicerces da nossa fé e da nossa identidade como família cristã. Nesta Páscoa, ao celebrarmos a Ressurreição, sentimos também um renascer no seio da nossa casa — uma renovação da esperança, do amor e da união.
É nestes momentos que entendemos melhor o verdadeiro significado da presença: estar com o outro de corpo e alma, escutando, compreendendo, acolhendo. A ausência ensina-nos a valorizar, mas é a presença que edifica. Reforçámos também o nosso compromisso com os valores que nos unem: a partilha, a escuta, o perdão e a gratidão.
Que o nosso testemunho possa inspirar outras famílias da paróquia a viverem com mais intensidade os seus encontros, a fazerem da fé um pilar nas suas casas e a descobrirem, mesmo nas rotinas diárias, oportunidades de crescer em comunhão.
Porque, no fundo, ser família é isto: caminhar juntos, guiados pelo Amor maior que é Cristo.