by Paroquia da Amadora | Nov 22, 2025
Faz sentido, em pleno séc. XXI, encerrar o ano litúrgico com a celebração da Solenidade de Cristo Rei do Universo? O título de “rei” que atribuímos a Jesus não será, nestes tempos “democráticos”, um título ultrapassado e com forte conotação ideológica, que nos conviria evitar? Tratar Jesus como “rei” não será pô-lo ao nível dos grandes e poderosos do nosso mundo? Ver em Jesus um “rei” não poderá contribuir para que fiquemos com uma ideia errada d’Ele e do projeto que Ele nos veio propor? Todas estas perguntas são legítimas; mas convém desde logo ter em conta que o próprio Jesus, questionado por Pilatos sobre a sua realeza, confirmou que era “rei” (cf. Lc 23,3). Na versão do evangelista João, Jesus diz mesmo a Pilatos que é um “rei” que veio ao mundo “para dar testemunho da verdade” e que todos os que são da verdade devem escutar a sua voz (Jo 18,37). Sim, podemos celebrar a realeza de Jesus, nós que escutamos a Sua voz, que queremos viver na verdade e que o temos como a referência fundamental à volta da qual construímos a nossa existência. Convém, no entanto, entender a “realeza” de Jesus na perspetiva certa: Ele é um rei que veio oferecer aos homens a verdade que liberta; Ele reina através da força desarmada do amor; o seu estilo é o do serviço simples e humilde; a sua força é a que resulta da misericórdia e do perdão; o trono de onde Ele exerce o seu poder é a cruz onde oferece a sua própria vida em benefício de todos. É dessa forma que vemos e entendemos a “realeza” de Jesus? Estamos dispostos a fazer desse “rei” a nossa referência?
Ao longo do seu caminho pela história a Igreja nem sempre entendeu bem a realeza de Jesus. Julgou, em diversos momentos, que essa realeza lhe dava um mandato para se impor, para dominar, para condenar, para coagir, até mesmo para matar. Montou estruturas decalcadas dos impérios; enviou exércitos para combater os “infiéis”; impôs conversões forçadas; condenou e queimou muitos “diferentes” que não se reviam na “ordem cristã” ou que tinham uma visão do mundo e da fé não coincidente com a da hierarquia… É evidente que temos de olhar para muitos desses “equívocos” como “datados”, como acontecimentos que devem ser vistos e avaliados à luz de um determinado contexto histórico. No entanto, em pleno séc. XXI faz sentido perguntar: já nos livramos de toda essa mentalidade triunfalista, inquisitiva, intolerante, do espírito de cruzadas e de guerras santas contra o mundo e contra os que não pensam como nós? Faz sentido, depois de o nosso “rei” se ter apresentado ao mundo no trono da cruz, reivindicar dos poderes políticos honras e privilégios para a Igreja nascida de Jesus? Necessitamos de continuar a reproduzir, na Igreja, as estruturas de poder que a sociedade cultiva e que funcionam segundo lógicas que nem sempre coincidem com os valores do Evangelho? O que pensamos de tudo isto?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Nov 15, 2025
Para onde caminha a história humana? Este universo que Deus criou com amor e que entregou nas nossas mãos terá um fim? Quando chegará ao seu termo essa magnífica aventura que a humanidade tem vindo a viver desde há milhões de anos? O que acontecerá quando a história dos homens já não tiver mais estrada para andar? Que acontecimentos catastróficos irão pôr um ponto final na história dos homens e nas conquistas de que tanto nos orgulhamos? A nossa curiosidade leva-nos a cada passo a colocar estas ou outras perguntas semelhantes. Certo dia, em Jerusalém, Jesus conversou com os seus discípulos sobre estas questões. Não deu pormenores, não se preocupou em saciar a curiosidade que devorava os discípulos. Garantiu-lhes que, aconteça o que acontecer, no fim do caminho estará Deus à espera; pediu-lhes que caminhassem de olhos postos em Deus e que nunca se deixassem vencer pelo medo ou pelo desânimo; ensinou-os a viver com esperança. Não caminhamos em direção ao nada; caminhamos para os braços amorosos de Deus. N’Ele encontraremos vida definitiva, vida plena, vida verdadeira. Como é que nós vivemos e sentimos estas coisas? O “fim” é algo que nos preocupa e angustia, ou caminhamos serenamente, com o coração em paz, colocando em Deus a nossa confiança e a nossa esperança?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Nov 8, 2025
Jesus denunciou, nos átrios externos do templo de Jerusalém, uma religião estéril e mentirosa, construída à volta de um folclore de gestos que Deus não apreciava e que, afinal, não mudavam o coração dos crentes. Qual é o verdadeiro culto que Deus espera de nós? Ao contrário do que possamos pensar, Deus não aprecia os nossos rituais litúrgicos cheios de pompa e circunstância que, no entanto, acabam por ser “uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma”, pois não têm implicações na nossa vida nem alteram a nossa forma de estar no mundo. O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossuficiência para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do estrangeiro, do doente, estamos a dar a resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para connosco. Que culto prestamos a Deus?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Nov 1, 2025
A Celebração dos fiéis defuntos é uma solenidade que tem um valor profundamente teológico, porque chama a atenção para todo o mistério da existência humana, das suas origens até ao fim e para além também. A novidade introduzida pela fé é a esperança: nós cristãos acreditamos num Deus, que não é apenas Criador, mas também Juiz. Logo, Deus é também é um Juiz! O seu juízo vai para além do tempo e do espaço, numa vida após a morte e na vida eterna, na qual o Reino de Deus se realiza plenamente. O julgamento do Senhor será duplo: além de responder individualmente às nossas ações, no fim dos tempos, seremos chamados a responder-lhes também como humanidade. Se morrermos em Cristo, porque vivemos a nossa vida em comunhão com Ele, seremos admitidos na Comunhão dos Santos.
A morte é um acontecimento inevitável. Cada um de nós pode entender isto pela própria experiência pessoal. Segundo a visão cristã, porém, não é considerada um facto natural. Pelo contrário, é o oposto da vontade de Deus! Graças à vitória de Cristo sobre a morte, podemos superar o medo que temos dela e a dor que sentimos quando atinge alguém que está próximo de nós. Enfim, para o cristão, não há distinção entre vivos e mortos, porque nem os mortos são “mortos”, mas “defuntos”, ou seja, “privados das funções terrenas”, à espera de serem transformados pela Ressurreição.
In Vatican News
by Paroquia da Amadora | Out 25, 2025
A parábola do fariseu e do publicano não é sobre viver bem ou viver mal, realizar boas obras ou realizar más obras, ter comportamentos corretos ou ter comportamentos incorretos em relação à Lei religiosa, ou civil; mas é sobre a atitude do homem — de qualquer homem, independentemente das suas ações — face a Deus. Um dos protagonistas — aquele que pertence ao partido dos fariseus — apresenta-se diante de Deus cheio de si próprio, seguro dos seus méritos, plenamente satisfeito com aquilo que é. A sua atitude diante de Deus é de orgulho e de autossuficiência: ele não precisa dos favores de Deus, pois tem feito tudo aquilo que lhe compete fazer e ainda mais. O outro — o cobrador de impostos — sente-se indigno e pecador, pois sabe que a sua vida está marcada pela ganância e pelas inúmeras injustiças que cometeu contra os seus irmãos. Está consciente de que só a misericórdia de Deus o poderá resgatar de uma vida suja e maldita. Reconhece a sua fraqueza e coloca-se humildemente nas mãos de Deus. Jesus, ao contar esta parábola, deixa claro qual é a atitude que o verdadeiro crente deve assumir diante de Deus. Independentemente das nossas boas ou más ações, com qual destes homens nos identificamos? Quando nos apresentamos diante de Deus e Lhe falamos da nossa vida, o que Lhe dizemos? Sentimos que a balança que contém os nossos méritos e os nossos débitos está claramente inclinada a nosso favor? Ousamos lembrar a Deus o nosso “comportamento exemplar” (que nem sempre é assim tão exemplar) e ficamos à espera que Ele nos pague convenientemente?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Out 18, 2025
Como interpretar esta parábola? Onde é que Jesus quer chegar? A explicação vem logo a seguir. Jesus pede aos seus ouvintes que façam um esforço e que comparem o juiz injusto com Deus: “Escutai o que diz o juiz iníquo! E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa”. É claro que Jesus não está a dizer que Deus é, como o juiz da parábola, alguém prepotente e injusto. Está a garantir-nos que Deus não fica indiferente às nossas súplicas: se até um juiz sem coração é capaz, apesar da sua relutância, de atender os pedidos de uma viúva sem poder nem influência, Deus – que é justo, que tem coração, que defende sempre os pobres e débeis, que ama os seus filhos com amor de pai e de mãe – não será capaz de escutar o que Lhe dizemos e não fará tudo para corresponder aos pedidos que Lhe fazemos?
In site dos Dehonianos