A vida fora de Portugal… no Canadá

A vida fora de Portugal… no Canadá

© NPaquete

A vida fora de Portugal tem sido bastante agradável, já que eu consegui adaptar-me muito bem às diversas adversidades que normalmente se encontram quando se está fora do país. Pessoalmente, tenho facilidade em integrar-me em grande parte das sociedades e desta vez não foi exceção. O Canadá é um país muito inclusivo, com uma diversidade cultural vasta e que aceita todo o tipo de culturas. São poucas as vezes que se encontra alguém nativo de cá, pelo menos na cidade onde resido, e isso demonstra quão diferente a sociedade é.

No que toca na vivência da fé, confesso que foi muito difícil vivê-la, já que muitas das vezes caía no esquecimento de rezar ou mesmo pensar em algo relacionado com a religião. No entanto, todas as semanas pensava para mim mesmo, “estou mesmo a viver um sonho, algo que sempre quis fazer e que muita gente adoraria fazer. Resta-me agradecer a toda a gente que me apoiou e me ajudou a realizar este meu objetivo, pois somos todos dependentes um dos outros e sem ajuda externa não conseguimos alcançar o que quer que seja. O facto de estar aqui deve-se a ajuda de toda a gente que acreditou em mim e no meu potencial e agradeço do fundo do coração a todas essas pessoas”. Considero que estes pensamentos que tenho de vez em quando se podem considerar orações, pois são conversas que temos com Deus.

© NPaquete

Quanto ao que tenho mais saudades, certamente diria a comida, os amigos e a família. Dos últimos dois diria que é possível colmatar a saudade, porém, no que toca à comida, é muito mais difícil matar as saudades. No início, uma pessoa estranha o desconhecido, mas, ao mesmo tempo, tem coragem de ir descobrir o que não conhece. Depois de se habituar à diversidade de comida existente torna-se tudo mais fácil. Só não há é nada que iguale ou supere aquilo a que mais estamos habituados: a nossa casa. No fim, acaba tudo por ser algo que gira em torno da adaptação. Pode-se estar longe de casa, mas nada nem ninguém impede que se construa uma nova com a ajuda de pessoas que vêm de diferentes partes do mundo. Por se partilhar essa diferença, tornamo-nos todos iguais e essa união faz de nós família.

Por Nuno Paquete
(texto e fotos)

 

 

Testemunho | Dizer “Não” Pode Ser o Maior “Sim” da Tua Vida

Testemunho | Dizer “Não” Pode Ser o Maior “Sim” da Tua Vida

Comecei a fumar por volta dos 13 ou 14 anos. Partilhava o maço com os amigos — era quase um ritual entre nós. Naquela altura, já se sabia que fazia mal, mas não se falava tanto disso. Não havia a informação, a consciência nem os alertas que existem hoje. Fumar era visto como algo normal, até com algum ar de “estilo” ou maturidade.

O que começou por curiosidade e convivência, transformou-se num vício sério. Com o tempo, passei a fumar um maço por dia, e em dias de festa ultrapassava isso com facilidade.

Fumei durante 20 anos. Fiz duas tentativas sérias para deixar o tabaco. Na primeira, consegui aguentar três meses — até ao dia em que, numa festa, decidi acender “só um”. Foi o suficiente. Voltei ao ponto de partida como se nunca tivesse parado. Percebi que, no meu caso, não há espaço para “só um”.

Na segunda tentativa, estava grávida e deixei de fumar logo que soube. Tinha a motivação, o foco e o amor a crescer dentro de mim. Sentia-me determinada e confiante de que, daquela vez, ia ser de vez. Infelizmente, às 12 semanas, tive um aborto espontâneo. O vício encontrou ali uma brecha e instalou-se novamente.

Mais tarde, engravidei novamente. Nessa altura, segui a recomendação da médica: não parar de forma brusca, mas reduzir progressivamente. O corpo, habituado à nicotina durante tantos anos, podia ressentir-se. Passei, então, a fumar 2 ou 3 cigarros por dia — um esforço enorme, mas possível com foco.

Na véspera de largar o tabaco de vez, tive uma ânsia tão forte que fumei um maço inteiro. Foi como se não houvesse amanhã. Os meus amigos ficaram preocupados — sabiam o quanto me tinha esforçado até ali. Parecia que ia tudo por água abaixo. No entanto, no dia seguinte, não toquei num cigarro. E, surpreendentemente, nem me apetecia. Os dias foram passando, e esse momento ficou para trás. Nunca mais voltei a fumar.

Desde 25 de Fevereiro de 2005 que celebro esse dia como um verdadeiro renascimento. Uma vitória sobre a dependência. Um passo decisivo que mudou a minha vida — para melhor.

Claro que houve dias difíceis. A tentação apareceu em festas, em momentos de stresse, em alturas em que “só um” parecia inofensivo, mas resisti. E continuo a resistir. Hoje, olho para trás e reconheço que deixar de fumar foi uma das decisões mais difíceis da minha vida e também uma das mais importantes.

Ganhei muito com essa escolha: recuperei o paladar, o olfato, voltei a respirar melhor, a ter mais energia. As pequenas coisas — como saborear uma refeição, subir escadas sem ficar ofegante, ou simplesmente sentir o cheiro da terra molhada — tornaram-se dádivas.

Mais importante ainda, recuperei a liberdade. A liberdade de não depender de um cigarro para lidar com emoções, rotinas ou pressões, e acima de tudo, a liberdade de viver melhor.

Hoje sei, sem sombra de dúvida, que não posso voltar a fumar. Se pegar num cigarro, sei que vou regressar ao mesmo vício, ao mesmo ciclo. Por isso, não arrisco. Aquilo que ganhei é muito mais valioso do que qualquer cigarro.

Se estás a pensar em deixar de fumar, acredita: é possível. E não precisas de fazer tudo de uma só vez. Cada tentativa é válida. Mesmo quando parece que se falhou, está-se a aprender, a preparar o caminho. Há sempre uma nova oportunidade de recomeçar. Não te rendas.

E se nunca começaste, melhor ainda. Fica longe. Não vás por aí. Como qualquer vício, é muito fácil começar, mas muito difícil parar. O que parece inofensivo ao início, pode transformar-se num peso enorme. E ninguém precisa disso para ser aceite, ter estilo ou fazer parte.

Com persistência, apoio e fé, é possível vencer o que parece impossível. Quando damos esse passo, não estamos só a deixar um vício. Estamos a escolher a vida que Deus nos dá, um presente precioso que merece ser cuidado e valorizado todos os dias. Dar esse passo é um acto de coragem e de amor — por nós, pelos que nos rodeiam, e pela vida que Ele nos confiou.

Ana Freire Fura

 

“Ser Maria” é pesado!

“Ser Maria” é pesado!

Nascida em Portugal numa família de Marias, claramente que a milésima geração desta família teria de ser Maria também! Cinco letras pesadíssimas e cada uma com a sua responsabilidade de fazer sentir à portadora deste nome quão importante é “Ser Maria”.

A verdade é que sempre quis ser Carlota. E é verdade também, ou pelo menos assim diz a minha mãe Maria Teresa, que quase o fui. Diz também minha mãe que sentiu que Carlota ou Maria Carlota não seria o ideal, sendo que cada vez que alguma Maria tem um segundo nome toda a gente opta por lhe chamar o outro que não é, claro está, Maria. Foi então que fiquei Maria. Simplesmente Maria. Sem segundo nome ou oportunidade para alcunhas. Foi pesado.

Todos sabem que a Margaridas chamamos “Megui” e que a Carolinas chamamos “Carol”, mas Maria não dá abébias. “Mary” is to english e a avó não consegue dizer. “Mari” é partilhado pelas Marianas e Maria merece título individual. “Riri” é estranho e faz-me comichão. E podíamos ficar aqui a falar sobre as mais diversas possibilidades de alcunhas, mas a verdade é que depois de tantos anos conformei-me com ser Maria. Simplesmente Maria. E com essa conformidade vem a consciência de que não sou simplesmente Maria. “Ser Maria” é ter a vontade de Mudar o mundo. “Ser Maria” é Amar intensamente. “Ser Maria” é Rir e sorrir. “Ser Maria” é Iluminar mesmo quando tudo parece ser noite. “Ser Maria” é acreditar.

E de repente “Ser Maria” já não parece fácil e banal. É pesado! Mas não em jeito de peso ou quilogramas, antes em linguagem corriqueira, pesado de “cool” sabem?

Hoje se me perguntarem o nome respondo sempre “Maria” e como sempre recebo um “Maria quê?”.

Sorrio.

“Simplesmente Maria.”