by Padre Fernando R. da Fonseca, SCJ | Abr 18, 2025
O Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Alfragide, foi inaugurado em novembro de 1969. Destinava-se a residência dos jovens dehonianos que ultimavam a sua formação religiosa e frequentavam o curso de Teologia na Universidade Católica, em vista à ordenação presbiteral. Foi assim até 2020. Nesse ano, os jovens passaram para outra casa, em Lisboa.
Atualmente o Seminário de Alfragide é residência de sacerdotes e irmãos que se dedicam a diversos ministérios. É também Centro de Espiritualidade, recebe grupos para retiros e encontros de formação, acolhe hóspedes, nomeadamente trabalhadores oriundos de outras regiões do país que exercem a sua profissão de segunda a sexta-feira na grande Lisboa.

Padre Leão Dehon
O Seminário de Alfragide pertence à Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus/Dehonianos. A Congregação foi fundada em 1878, em S. Quintino, França, pelo Venerável Padre Leão Dehon, que recebeu a graça e a missão de enriquecer a Igreja com um instituto religioso apostólico que vivesse da sua inspiração evangélica. Rapidamente se espalhou pela Europa e pelo mundo, encontrando-se atualmente em 19 países da Europa, 4 países da Ásia, 7 país da África, 8 países da América Latina e 3 países da América do Norte.
Os Dehonianos chegaram a Portugal nos últimos dias de 1946, fixando-se na ilha da Madeira, onde, em outubro de 1947, fundaram um seminário para a formação de missionários destinados a Moçambique. Alguns meses antes, os dehonianos italianos tinha chegado a esse país.
Do Funchal, a Congregação passou para Lisboa, Coimbra, Aveiro e Porto, onde criou diversas estruturas para a formação de missionários: seminários menores, noviciado, teologado.
Em 1990, foi aberta uma comunidade nos Açores destinada à animação espiritual e vocacional. Em 1995, foi criada uma comunidade paroquial no Algarve. Em 2019 foi aberta a comunidade paroquial do Barreiro.
Atualmente a Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus, nome oficial da Congregação, em Portugal, dispõe de 15 comunidades. Os seminários continuam a ser referência para a animação vocacional e acompanhamento dos candidatos. O Colégio Infante, no Funchal, serve uma vasta zona da cidade. A APEL, também no Funchal, é uma escola para alunos do ensino complementar. A Obra ABC, em Rio Tinto, acolhe e apoia adolescentes e jovens em risco. Os Centros de Espiritualidade de Betânia/Paredes, Ponta Delgada e Alfragide animam a vida espiritual dos fiéis, segundo o carisma dehoniano. Mas a maioria dos Dehonianos portugueses servem paróquias: 7 em Lisboa, 3 em Setúbal, 8 no Algarve, 5 no Porto, 5 no Funchal e 1 nos Açores.
Nos anos sessenta do século passado, os Dehonianos portugueses partiram em Missão para Moçambique. Em 1981, assumiram missões em Madagáscar; em 2001 foram enviados para a Índia; em 2004, iniciaram a sua presença em Angola. A animação missionária é uma das principais atividades dos dehonianos em Portugal.
Em 78 anos de presença em Portugal, os Dehonianos deram à Igreja mais de 100 religiosos e sacerdotes e 4 bispos. O primeiro bispo dehoniano português foi D. António Braga, que serviu a diocese dos Açores durante 20 anos, e faleceu em 2022. Os outros três bispos continuam a exercer o ministério: D. José Ornelas, em Leiria-Fátima; D. Manuel Quintas, no Algarve, D. Alfredo Caires, em Mananjary, Madagáscar. O P. Manuel Barbosa é secretário e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa. Mons. Saturino Gomes é membro do Tribunal da Rota Romana.
O Padre Leão Dehon quis que os membros da congregação unissem de forma explícita a sua vida religiosa e apostólica à oblação reparadora de Cristo ao Pai pelos homens. Trata-se de oferecer todo o próprio amor, unido ao de Cristo, para glória e alegria de Deus e para bem de todos os homens, em completa disponibilidade para os ministérios que lhes são confiados. Não tendo sido fundados em vista de uma obra determinada, dedicam-se ao que é preciso. Mas, a exemplo do Fundador, têm prioridades: a adoração eucarística, o ministério junto dos pequenos e humildes, dos operários e dos pobres, bem como a atividade missionária.
Em sintonia com os sinais dos tempos e em comunhão com a vida da Igreja, querem contribuir para instaurar o reino da justiça e da caridade cristã no mundo (L. Dehon, Souvenirs, XI). Por outras palavras, querem colaborar na instauração do Reino de Deus, ou do Coração de Jesus, como gostava de dizer o Padre Dehon. Esse Reino não é outra coisa senão o mundo como Deus o sonhou para nós, um mundo onde todos vivamos em comunhão com Cristo e uns com os outros, para nos realizarmos segundo o projeto de Deus.
by Paróquia da Amadora | Abr 18, 2025
O sono é um pilar fundamental da saúde humana, tão essencial quanto a alimentação e o exercício físico. No entanto, na sociedade contemporânea, marcada pelo ritmo acelerado e pela hiperconectividade digital, o valor de uma noite bem dormida é frequentemente negligenciado. Esta desvalorização do descanso adequado tem consequências profundas para nosso bem-estar físico, mental e emocional.
Durante o sono, o corpo realiza uma série de processos reparadores: as células são regeneradas, toxinas são eliminadas, as hormonas, reguladas e as memórias são consolidadas. Como descrevem alguns investigadores, “o sono é a altura em que os processos naturais de reparação estão mais ativos, com aumento do fluxo sanguíneo, fornecendo oxigénio e nutrientes, enquanto a produção de colagénio e a renovação celular são intensificadas.”
Estudos científicos recentes revelam que a privação crónica de sono está diretamente associada ao desenvolvimento de diversas patologias graves, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, comprometimento imunológico e até mesmo aumento do risco de demência. Como resultado, compreender e priorizar o sono tornou-se uma questão urgente de saúde pública.
Benefícios do sono em todas as idades
Crianças e Adolescentes (7-18 anos)

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O sono adequado durante a infância e adolescência é fundamental para o desenvolvimento saudável. Para esta faixa etária, os benefícios incluem:
Desenvolvimento cerebral otimizado – Durante o sono profundo, ocorrem conexões neuronais essenciais para a aprendizagem e a memória. Um estudo da Universidade de Minnesota mostrou que adolescentes com padrões de sono adequados apresentaram 38% melhor desempenho em testes cognitivos.
Regulação do crescimento físico – O pico de liberação da hormona do crescimento ocorre durante as fases de sono profundo. Crianças com sono insuficiente apresentam frequentemente atrasos subtis no desenvolvimento físico.
Equilíbrio emocional e saúde mental – Os adolescentes que dormem menos de 8 horas por noite têm três vezes mais probabilidade de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão. Como relatou um estudo recente com 10.000 adolescentes, cada hora adicional de sono foi associada a uma redução de 28% de pensamentos suicidas.
Adultos Jovens (19-35 anos)
Produtividade e desempenho profissional – O sono adequado melhora a capacidade de resolução de problemas, tomada de decisões e criatividade. Profissionais que dormem 7-8 horas demonstram 31% mais produtividade.
Saúde reprodutiva – Para mulheres, o sono insuficiente pode alterar os níveis hormonais, afetando a regularidade menstrual e fertilidade. Para homens, estudos demonstram que dormir menos de 6 horas por noite está associado à redução de até 29% nos níveis de testosterona.
Resistência ao stresse – O sono adequado fortalece a capacidade de lidar com pressões quotidianas. Os estudos mostram que as pessoas que dormem bem têm níveis de cortisol (hormona do stresse) significativamente reduzidos.
Adultos de Meia-idade (36-60 anos)

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Prevenção de doenças crónicas – Dormir bem nesta fase da vida está associado à redução do risco de hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Um estudo alargado que envolveu 50.000 adultos demonstrou que os indivíduos com padrões de sono saudáveis tinham 42% menos probabilidade de desenvolver doenças cardíacas.
Metabolismo e controle de peso – O sono insuficiente altera a produção de leptina e grelina, hormonas que regulam a fome, contribuindo para aumento de peso. Pessoas que dormem adequadamente têm 37% mais facilidade para manter o peso ideal.
Diferenças entre géneros – Nesta fase, as mulheres frequentemente experimentam alterações no sono devido a mudanças hormonais da perimenopausa, enquanto os homens apresentam maior incidência de apneia do sono (devido a fatores anatómicos).
Idosos (acima de 60 anos)
Preservação cognitiva – Estudos da Universidade de Berkeley demonstram que o sono de qualidade atua como protetor contra declínio cognitivo e demência. Idosos com sono adequado têm 53% menos risco de desenvolver Alzheimer.
Saúde musculoesquelética – O descanso adequado preserva a densidade óssea e massa muscular, fundamentais para prevenir quedas. Mulheres idosas que dormem bem têm 27% menos risco de fraturas.
Renovação celular e longevidade – Durante o sono profundo, ocorre uma “limpeza” do cérebro, eliminando proteínas tóxicas como a beta-amiloide. Este processo está diretamente ligado à longevidade e qualidade de vida.
Guerra dos sexos a dormir?
Particularidades do Sono Feminino

- Ciclo menstrual – As flutuações hormonais afetam significativamente a qualidade do sono. Durante a fase lútea, muitas mulheres relatam insónia ou sono fragmentado.
- Gravidez – Especialmente no terceiro trimestre, 78% das gestantes relatam problemas para dormir devido a mudanças físicas e hormonais.
- Menopausa – 61% das mulheres na menopausa sofrem com ondas de calor noturnas que perturbam o sono.
- Maior prevalência de insónia – Estudos epidemiológicos mostram que as mulheres têm 1,4 vezes mais probabilidade de desenvolver insónia crónica do que os homens.
Particularidades do Sono Masculino

- Maior tendência à apneia do sono – Devido a diferenças anatómicas na via aérea superior e distribuição de gordura, os homens têm 2-3 vezes mais probabilidade de desenvolver apneia obstrutiva.
- Ressonar – Afeta aproximadamente 57% dos homens adultos (versus 40% das mulheres).
- Menos queixas subjetivas – Pesquisas mostram que homens tendem a não referir problemas de sono, mesmo quando objetivamente presentes.
- Maior impacto da testosterona – Níveis baixos desta hormona estão associados a sono fragmentado e insónia.
by Manuela Gonzaga | Abr 18, 2025
Os microplásticos tornaram-se uma preocupação crescente para a saúde pública global. Estas partículas de plástico com menos de cinco milímetros de diâmetro infiltraram-se em praticamente todos os ambientes do nosso planeta, desde as regiões mais remotas como a Antártida até aos habitats mais profundos como a Fossa das Marianas (Nihart et al., 2025).
O que são os microplásticos e que impactos têm na saúde?
Os microplásticos são gerados por diversos processos quotidianos: a fricção dos pneus no asfalto, a degradação de objetos plásticos e a lavagem de roupa feita com fibras sintéticas são algumas das fontes principais (Wright & Kelly, 2017). Estes pequenos fragmentos de plástico acabam por contaminar o ar que respiramos, a água que bebemos e os alimentos que consumimos.
Estudos recentes, como o conduzido por Haipeng Huang e a sua equipa da Universidade de Pequim, revelam mecanismos preocupantes sobre como os microplásticos afetam o organismo. Utilizando microscopia bifotónica e partículas fluorescentes de poliestireno em ratos, os investigadores observaram que as células do sistema imunitário absorvem estas partículas e, subsequentemente, formam aglomerados nas paredes dos vasos sanguíneos cerebrais (Nihart et al., 2025).
Estes aglomerados funcionam de forma semelhante a coágulos sanguíneos, reduzindo o fluxo sanguíneo e potencialmente causando obstruções vasculares. Nos roedores estudados, estas alterações manifestaram-se através da redução da memória espacial e diminuição das capacidades motoras (Nihart et al., 2025).
No corpo humano, a presença de microplásticos já foi associada a diversas condições, incluindo:
- Doenças respiratórias crónicas (Gasperi et al., 2018)
- Perturbações do sistema imunitário (Wright & Kelly, 2017)
- Desequilíbrios hormonais (Rochman et al., 2014)
- Potenciais danos neurológicos (Mattsson et al., 2017)
Um dado particularmente alarmante é que, segundo investigações recentes, a quantidade média de microplásticos acumulados no cérebro humano aumentou cerca de 50% entre 2016 e 2024 (Nihart et al., 2025), sugerindo uma exposição crescente e acumulativa.
Como é que nos expomos aos microplásticos?
Os microplásticos entram no nosso organismo principalmente por três vias:
- Ingestão: Consumo de alimentos contaminados, especialmente produtos marinhos e água potável (Carbery et al., 2018)
- Inalação: Respiração de partículas presentes no ar, incluindo microfibras libertadas por têxteis sintéticos (Prata, 2018)
- Contacto dérmico: Absorção através da pele, principalmente de microplásticos presentes em cosméticos (Hernandez et al., 2017)
O que posso fazer para reduzir a produção de microplásticos?
Para reduzir a produção e a exposição aos microplásticos, podemos adotar várias estratégias no nosso dia a dia:
Alimentação

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- Reduzir o consumo de alimentos embalados em plástico;
- Evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos;
- Utilizar filtros de água que removam microplásticos (Pivokonsky et al., 2018);
- Privilegiar alimentos frescos e locais.
Em casa
- Optar por têxteis naturais (algodão, linho, lã) em vez de sintéticos;
- Utilizar aspiradores com filtros HEPA para reduzir partículas no ar interior;
- Ventilar adequadamente os espaços fechados;
- Evitar produtos de higiene e cosméticos que contenham microesferas plásticas.
Diariamente
- Usar garrafas reutilizáveis de vidro ou aço inoxidável;
- Escolher produtos de limpeza naturais e sustentáveis;
- Reduzir o uso de plásticos descartáveis;
- Optar por transportes ativos (caminhar, andar de bicicleta) quando possível, reduzindo a exposição a partículas resultantes da fricção dos pneus.
Em resumo…
Os microplásticos representam um desafio complexo para a saúde pública. À medida que a investigação avança, torna-se cada vez mais evidente que estas partículas podem ter efeitos significativos no nosso organismo, particularmente no sistema nervoso central. Embora as consequências a longo prazo ainda estejam sob investigação intensiva, as evidências atuais justificam uma abordagem preventiva.
Reduzir a exposição aos microplásticos requer uma combinação de escolhas individuais conscientes e políticas públicas eficazes que limitem a produção e dispersão destas partículas no ambiente. A contaminação por microplásticos é um problema global que exige atenção imediata e ação coordenada para proteger a saúde humana e ambiental.
Referências consultadas para este artigo:
Carbery, M., O’Connor, W., & Palanisami, T. (2018). “Trophic transfer of microplastics and mixed contaminants in the marine food web and implications for human health.” Environment International, 115, 400-409.
Gasperi, J., Wright, S. L., Dris, R., Collard, F., Mandin, C., Guerrouache, M., & Tassin, B. (2018). “Microplastics in air: Are we breathing it in?” Current Opinion in Environmental Science & Health, 1, 1-5.
Hernandez, L. M., Yousefi, N., & Tufenkji, N. (2017). ”Are there nanoplastics in your personal care products?” Environmental Science & Technology Letters, 4(7), 280-285.
Mattsson, K., Johnson, E. V., Malmendal, A., Linse, S., Hansson, L. A., & Cedervall, T. (2017). “Brain damage and behavioural disorders in fish induced by plastic nanoparticles delivered through the food chain.” Scientific Reports, 7(1), 11452.
Nihart, A. J. et al. (2025). Nature Medicine.
by Regina Falcão | Abr 18, 2025
“Como ficar indiferente perante problemas como as alterações climáticas, a desertificação, a degradação e perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição de rios e aquíferos, a perda de biodiversidade, o aumento das condições climatéricas extremas e a destruição de florestas de áreas equatoriais e tropicais?”
Sabe quem disse?
Entre os ambientalistas, ficou conhecido como o “Papa Verde” e foram deveras tocantes e acutilantes os textos publicados durante o seu pontificado sobre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade; as alterações climáticas e o direito a um ambiente saudável. Pediu, vezes sem conta, a todos os católicos que fossem “melhores administradores da criação de Deus” uma vez que, para a Igreja, a conservação do planeta para as futuras gerações é obrigação moral de todos, considerando a degradação da natureza um pecado nos tempos que correm.
O Santo Padre Bento XVI conseguiu tornar o Vaticano livre de emissões de carbono e ordenou a instalação de sistemas de energia fotovoltaica, transformando a sede da Igreja no Estado mais verde do mundo! Não poupou esforços no que concerne à aplicação de medidas e ações de sustentabilidade, e talvez a mais conhecida, visível, tenha sido a transformação do papamóvel numa viatura híbrida, sempre com escolta de batedores e seguranças em carros elétricos.
Deixo-vos aquela que é para mim, ambientalista convicta, a frase mais contundente de Bento XVI:
“Respeito pelo ser humano e respeito pela natureza são um só, mas ambos podem crescer e encontrar sua justa medida se respeitarmos no ser humano e na natureza o Criador e sua criação”
by Hugo Brito | Abr 16, 2025
Imaginem uma celebração que dura três dias (na verdade, quatro). Imaginem que nessa celebração cabia a totalidade celebrativa da nossa Igreja. Por fim, imaginem que nessa celebração vivemos a vida, morte e ressurreição de Cristo.
Conseguem?
Pois bem, tudo isto se concretiza no Tríduo Pascal. Nestes dias, através de sinais simples e humanos (pão, vinho, água, azeite, palavras e luz), Deus dá-se totalmente como prova da sua aliança.
Missa da Ceia do Senhor
“O sacrário deve estar completamente vazio”. É deste modo que começam as rubricas desta celebração que inicia com o modo habitual (Bênção inicial).
A celebração da Ceia é um grito de glória, que voltamos a cantar (só voltando a cantá-lo na Vigília Pascal), que termina a “travessia” quaresmal e onde celebramos a instituição da Eucaristia.
Lava-Pés
Como estamos a celebrar a Eucaristia como sacramento é aconselhável, diz o Missal Romano, que se realize o gesto do Lava-Pés à imagem do próprio Cristo, nesta mesma noite.
O sacerdote retira a casula e, tomando um jarro e uma bacia com água, lava os pés a 12 pessoas – símbolo dos 12 apóstolos.
Transladação
Não fosse este momento e o Lava-Pés e esta celebração seria “normal”. Todavia, é neste momento e gesto a realeza de Jesus – faz-se pão (primeiro sinal) por nós!
Diz o n.º 15 das rubricas desta celebração que o sacerdote “…toma o véu de ombros, pega na píxide…”, começa assim a transladação do S.º Sacramento até ao local da sagrada reserva. acompanhado de incenso (outro sinal: as orações do povo que se elevam) e velas (sempre a luz), nada mais.
A celebração termina com a deposição do SS. no local da reserva e, após se cantar o Tantum Ergo, todos se retiram em silêncio.
Celebração da Paixão do Senhor
“Hoje e amanhã, segundo uma tradição antiquíssima, a Igreja não celebra a Eucaristia” – n.º 1 das rubricas desta celebração no Missal Romano.
Este é o dia da morte de Cristo e por isso meditamos, de modo cru, neste mistério.
Nudez
O altar despido, tal como Cristo na cruz, outro sinal…
Cristo morreu! Não há festa, solenidade ou adorno. Só a certeza crua e seca desta verdade.
É isto que a Igreja celebra neste dia.
Silêncio
Depois deste momento de oração, profere uma oração, sem que para tal convoque o povo como habitualmente, ou seja, sem o “Oremos”.
Liturgia da Palavra
Como na Eucaristia escutaremos três leituras e, novamente, a leitura da Paixão (desta vez segundo S. João).
Terminado este momento, sem Credo como em quinta-feira, rezamos a Oração Universal, com dez intenções, seguida de uma oração para a terminar proferida pelo sacerdote.
Estas intenções são: pela Igreja, pelo Papa, pelos Ministros e Fiéis, pelos Catecúmenos, pela unidade dos cristãos, Judeus, pelos que não creem em Cristo, pelos que não creem em Deus, pelos governantes e pelos atribulados.
Após este momento vamos venerar e adorar a Cristo no seu trono – a cruz.
Adoração da Santa Cruz
Com o fim da Liturgia da Palavra passa-se, pois, para este momento – a apresentação da Cruz, que pode ser feita de dois modos:
– Com a Cruz destapada em procissão;
– Com a Cruz tapada que é desnudada ao chegar ao altar.
Nesse momento, respondemos à invocação “Eis o Madeiro da Cruz, no qual esteve suspenso o Salvador do Mundo”, dizendo “Vinde, adoremos”.
Chegada a Cruz ao altar, inicia-se a sua adoração. Como para a comunhão, onde somos convidados a adorar o Senhor crucificado. Aqui cantam-se os “impropérios” e outros hinos. Enquanto decorre este momento de adoração, coloca-se uma toalha sobre o altar, onde estará deposta a cruz com as velas que a acompanham e, mais tarde, o S.º Sacramento (como veremos a seguir).
Sagrada Comunhão
Colocado o S.º Sacramento que vem da reserva em cima do altar, o sacerdote inicia os Ritos de Comunhão com a oração do “Pai-Nosso”.
Segue-se, pois, a comunhão com o pão consagrado no dia anterior.
Após este momento, o SS. é devolvido ao local da reserva.
Depois, para terminar este momento, o sacerdote termina a celebração com uma oração de despedida, após a qual, este e os ministros recolhem à sacristia em silêncio.
É recomendável que a cruz fique exposta incitando o povo à oração.
Sábado Santo
“No Sábado Santo, a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando na sua Paixão e Morte” – é esta a entrada sobre o terceiro dia nas rubricas do Missal Romano. Podemos, portanto, concluir que é dia de silêncio e recolhimento.
Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor
Vigília Pascal na Noite Santa
“A Vigília desta noite ordena-se do seguinte modo: (…) Lucernário, (…) Liturgia da Palavra, (…) Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística” – esta é a “Missa das Missas”. Como diz o Cónego Luís Manuel, na sua obra Nascemos da Páscoa[1], é daqui que vimos e é para aqui que iremos.
É desta celebração que tudo nasce e irradia para a nossa fé.
Lucernário
Imaginem uma fogueira na rua. O povo, reunido, numa igreja às escuras e de velas na mão, esperando o Senhor. – É isto o Lucernário.
O mundo que estava nas trevas viu uma grande luz – o Ressuscitado! É deste lume novo, benzido pelo sacerdote, que acenderemos o Círio Pascal. Este círio é representação de Cristo (Luz, outro sinal), é dele que todas as velas da Igreja serão acesas; afinal é por ele que se iluminam os nossos corações.
Chegado ao altar, após ser cantado o A Luz de Cristo três vezes, anunciando a ressurreição, cantar-se-á o Precónio Pascal (hino à luz Pascal que é Cristo).
Liturgia da Palavra
Neste momento, somos chamados a meditar sobre a história do Povo de Deus, é a nossa história!
Por isso e para isso, escutamos uma seleção de nove leituras (sete do Antigo Testamento-AT e duas do Novo Testamento-NT).
Entre as leituras do AT a única obrigatória é a do Êxodo, por se tratar da narração da Páscoa judaica.
Nesta eucaristia, ao contrário das “habituais” temos um ritmo próprio. Cada leitura tem um salmo e orações próprias.
Na passagem das leituras do AT para o NT cantamos o “Glória” (momento em que se acendem as velas do altar – Cristo ressuscitou!).
Entre leituras do NT, Epístola e Evangelho, cantamos o Aleluia (ele próprio um Salmo). Neste Evangelho não se utilizam velas para o acompanhar, afinal estamos na presença do Círio, que deve ser colocado num de três lugares: junto ao ambão, junto à fonte batismal ou no meio do presbitério, representação da Nossa Luz – Jesus Cristo.
Liturgia Batismal
Chegado a este momento, o presidente da celebração dirige-se para a fonte batismal e procede à bênção da água. Pedimos o auxílio dos santos que connosco celebram, na Igreja da Glória, através das Ladainhas.
Bênção da água batismal
Terminadas as Ladainhas, o presidente da celebração procede à bênção da água mergulhando o Círio Pascal nas águas:
“O Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn1, 2-3).
Só depois da bênção das águas, o povo, de velas nas mãos, renova as suas promessas batismais a que se sucede a aspersão, num sinal de recordação do batismo.
Segue-se a Oração Universal para concluir este momento.
Liturgia Eucarística

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A partir deste momento retoma-se o ritmo de “missa habitual”, ou seja, o rito não sofre alterações. No entanto, vivêmo-lo na certeza renovada de que o Senhor está vivo!
Ritos de Conclusão

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Esta celebração termina com a despedida, como de costume, porém pode ser feita a bênção solene prevista, terminando com: “Aleluia, Aleluia!”
É com este grito de aleluia que terminam as três celebrações, que, como disse, são uma unidade. Nelas se engloba toda a beleza, o amor e a alegria da nossa fé, que se deve viver na oitava como se de um único dia se tratasse.
É com esta certeza de uma fé viva, na presença de um “Senhor vivo” que se relaciona connosco que devemos sempre caminhar. Afinal, referindo novamente as palavras do Cónego Luís Manuel: “Vivemos de Páscoa em Páscoa, até à Páscoa final!”
Hugo Brito
[1] Cón. Luís Manuel Pereira da Silva, (2021). Nascemos da Páscoa. O memorial do mistério pascal. Secretariado Nacional de Liturgia.
by Daniela e Nuno Pássaro | Abr 15, 2025
Em plena Semana Santa, e para que este não seja mais um ano em que vivemos em modo “maratona religiosa”, quisemos refletir sobre o que é essencial na Páscoa. Claro que a Quaresma nos ajuda a mergulhar, desde logo, no mistério Pascal, mas quisemos deter-nos, sob uma perspetiva diferente, acerca do sentido da Ressurreição. Após a Vigília Pascal, por “hábito cristão”, costumamos, alegremente, proferir frases como «Aleluia! Ressuscitou!», mas… qual será o alcance que podem ter frases como esta que dizemos? O que é que significa, na concretude das nossas vidas e na vida da nossa família, ressuscitar?
Foi então que nos lembrámos de uma frase do Cardeal D. José Tolentino Mendonça¹ que tínhamos lido numa Páscoa anterior. Dizia o “padre-poeta” que: «Amar é dizer ao outro: tu não morrerás.» Achámos impressionante como é que alguém pode dizer tanto em apenas oito palavras e continuámos a ler o texto, com o objetivo de percebermos, qual pode ser, afinal, o sentido da Ressurreição. Naquele texto, relembra-nos D. José Tolentino Mendonça que uma das antífonas mais usadas no Tempo Pascal é: Resurrexit, sicut dixit. (Ressuscitou, conforme disse). Conta-nos ainda que um monge copista medieval alterou esta antífona, escrevendo: Resurrexit, sicut dilexit (Ressuscitou conforme amou). Et voilá… aqui está a chave do significado da Ressurreição: o Amor (sempre o Amor)!
A correria do dia a dia, o cansaço, a rotina, e as desventuras que vivemos fazem parte da realidade familiar, mas podem trazer à tona sentimentos como o desânimo, a desesperança, a fatalidade e a vontade de desistir. Contudo, sabemos também que a família é muito mais do que isto. Comparemo-la a uma viagem de caravana.
Uma das primeiras lições que podemos retirar desta analogia é o valor da companhia. Não vamos sozinhos. Se fossemos, chegaríamos mais depressa ao destino, mas não chegaríamos tão longe, ou seja, não teríamos um horizonte tão amplo, e que apenas conseguimos alcançar porque temos a companhia um dos outros e experimentamos a entrega, que faz tornar a viagem mais “rica”. É também importante garantir que ninguém fica para trás e, por isso, é preciso respeitar o ritmo e as necessidades de cada um dos viajantes (parar para descansar, para nos alimentarmos e para saciar a sede, por exemplo).
Nesta viagem de caravana – e também na vida familiar – há algo de dinâmico que está subjacente: a comunhão. De facto, em família, vivemos colocando tudo em comum e partilhando a vida e aquilo que somos (e isto não significa que cada um dos elementos da família não preserve a sua identidade e que não seja respeitada a sua individualidade). Esta comunhão vivida no seio familiar pode ser percebida, por outras palavras, como uma “rede de Amor”. É, de facto, uma rede que envolve sem estrangular, uma rede que ampara sem prender os movimentos. Esta rede, que é construída todos os dias sempre que decidimos (sim, o Amor é uma escolha!) que, apesar das dificuldades, não desistiremos. E esta é, para nós, a garantia dada pelo próprio Deus que diz estar connosco, para além de qualquer situação que pode ser encarada pelo “mundo” como uma derrota ou fracasso, ou seja, um qualquer tipo de morte.
E, afinal, não será esta a essência da Páscoa? Com a Sua ressurreição, Cristo mostra-nos que nunca é a morte (e não apenas a morte física) que tem a última palavra! O Amor vence, a morte não! Voltando à questão inicial, compreendemos, agora, que ressuscitar talvez não seja mais do que salvar o outro (na família ou noutra “comunidade de Amor”) da morte. É, mesmo na dificuldade, gerar vida (no sentido espiritual). É não permitir que a morte vença. É, no fundo, dizer ao outro: porque eu te amo, tu não morrerás!
Vivamos esta Páscoa na certeza de que ressuscitar não é algo sobrenatural, mas um desafio que Deus lança a cada um de nós e que está ao nosso alcance. Afinal de contas, para dar Vida, basta amar!
¹ Cardeal D. José Tolentino Mendonça, Homilia do Domingo da
Ressurreição do Senhor, 4 abril 2021. In Avennire (https://www.avvenire.it/)