by Padre Carlos Jorge | Mai 27, 2025
És a Rainha do Céu, mas a tua alegria maior é estar junto a nós, aqui na Terra.
Ao longo de maio, no meio da turbulência, destes dias, vamos sentir-te muito próxima.
Vens ensinar-nos a oferecer hospitalidade àquele acontecimento que nos bate à porta
e que nem sempre somos capazes de aceitar e compreender no imediato,
para, depois, na intimidade, no diálogo com Deus, na respiração da oração,
pacientemente, humildemente, descermos às raízes da sua verdadeira significação.
Era assim que agias: silente, acolhias o insondável
e aguardavas, confiante, a aclaração de Deus.
Ao teu jeito, conseguiremos ‘ler’ mais adiante o que ainda não entendemos hoje.
Por agora confrontamo-nos com as contingências que nos determinam,
mas não nos subjugam.
Que este tempo de resiliência faça amanhecer uma primavera nova nas nossas vidas.
Ao teu lado redescobriremos o encanto da palavra ‘Encontro’:
quando soltamos o liame dos preconceito e dos fundamentalismos,
derrubamos os muros que nos separam em classes, colorações de pele,
motivações políticas, crenças religiosas, hierarquias aberrantes,
egocentrismos enfermiços, e nos permitimos peregrinar unicamente
com a roupagem da nossa comum e frágil humanidade.
Só com as mãos ligadas e corações estreitados, numa cumplicidade fraterna,
é possível aventurarmo-nos na travessia dos espaços e dos tempos
que nos ligam ao futuro.
Contigo, Maria, novos perfumes virão aromatizar a sequência dos dias
e colori-los de esperança.
E escutaremos um pedido que não te cansas de repetir em cada uma das tuas visitas:
“Façam tudo o que Jesus vos disser.”
Bem-vinda sejas, Maria!
P. Carlos Jorge, in VENTO NESTE CAMINHO DE PEDRAS,
de P. Carlos Jorge (textos), Carina Tavares e João Afonso (ilustrações)
by Padre Carlos Jorge | Jan 12, 2025
Eu estava lá.
Vi João a mergulhar Jesus nas águas.
Quando, após a ressurreição, entendi quem era Aquele Homem,
uma interrogação brotou, em mim: por que razão, o Filho de Deus, o Senhor,
se tinha deixado baptizar como um vulgar pecador, como eu, precisado de conversão?
A resposta foi tomando figura.
Através daquele rito, Jesus mostrou que aceitava descer ao nosso nível,
que queria confundir-se connosco, partilhar os ritmos da nossa vida quotidiana.
Não necessitava de passar por aquele momento, mas quis cumpri-lo.
Jesus mergulhou, não somente na água, mas na opacidade da nossa humanidade.
E percebi que, naquele instante de abraço entre a Eternidade e a Finitude,
os céus, silenciosos durante tanto tempo, tinham cancelado a sua mudez,
e deixaram jorrar a Palavra, a Comunicação perfeita de Deus: Jesus.
O Pai sorriu, encantado com o Filho muito amado, que partia em missão,
habitado pelo Espírito, que n’Ele estabeleceu a sua morada permanente,
como uma pomba se ajusta e é fiel ao seu ninho.
Eu estava lá, Jesus.
Vi-te a mergulhar nas águas.
E contemplei os céus a rasgarem-se e o Espírito a hospedar-se em ti.
Depois, ouvi a voz de Deus a proclamar:
“Tu és o meu Filho muito querido. A ti expresso toda a minha ternura.”
Compreendemos o dom que recebemos no Baptismo?
P. Carlos Jorge, in VENTO NESTE CAMINHO DE PEDRAS,
de P. Carlos Jorge (textos), Carina Tavares e João Afonso (ilustrações)
by Paróquia da Amadora | Jan 1, 2025

by Padre Carlos Jorge | Jul 13, 2024
Jesus chama-nos.
Não para nos determos n’Ele, mas para nos enviar em nome d’Ele.
Propõe-nos asas para voarmos, não uma âncora para atracarmos.
Para a viagem, um bastão, símbolo do poder de Deus: o Amor.
Nada mais.
A missão não depende do que temos, mas do que somos.
Não são os recursos materiais, nem os nossos esquemas, que garantem os frutos,
mas Deus, em nós, através de nós e para além de nós.
Vamos em comunidade (pode ser dois a dois). Nunca sozinhos (pode ser imprudente).
Bateremos às portas de todos os corações. Mas não forçaremos nenhuma entrada.
Aos que nos receberem, falaremos da nossa amizade com Jesus e da Beleza de Deus.
Afirmaremos que o Céu, mais do que algo a alcançar, pode ser acolhido, aqui e agora.
Nem sempre nos saberemos expressar. Nem sempre seremos bem compreendidos.
Aceitaremos o desconforto do fracasso, a mágoa da indiferença, a ferida do ultraje.
Lamentaremos os instantes em que formos sombrios, hesitantes, cobardes.
Festejaremos todos os momentos em que o Amor ganhar.
Jesus também te chamou.
Vens ou ficas?
P. Carlos Jorge, in VENTO NESTE CAMINHO DE PEDRA | Ilustração: João Afonso
by Paróquia da Amadora | Jun 8, 2024
VENTO NESTE CAMINHO DE PEDRAS | Textos do P. Carlos Jorge, ilustrações de Carina Tavares e João Afonso.
DO SONHO À REALIDADE | Eduardo Mouta, obre a Paróquia de S. Brás, com referências à nossa paróquia. (O produto da venda do primeiro livro reverte para a paróquia da Amadora; do segundo, para a paróquia de S. Brás.)
A CAIXA DE PANDORA | Textos e ilustrações de Carina Tavares
by Padre Carlos Jorge | Jan 6, 2024
Chegámos. Pouco depois de os Magos terem deixado o lugar onde estava o Menino.
Eles viviam longe. Fizeram-se próximos.
Podiam ter ficado. Mas lançaram-se ao caminho.
Para os ‘buscadores de Deus’, as distâncias não embaraçam nem intimidam.
No instante em que entrámos na casa, uma questão pulou: e presente para Ele?
Era tarde demais para qualquer tipo de solução.
Com as mãos vazias e o coração acanhado, avançámos.
Aproximámo-nos da Criança. Estava ao colo da Mãe. O Pai ao lado dos dois.
Os nossos corações buliam a um ritmo vertiginoso.
E, antes de titubearmos qualquer palavra, ouvimos:
“Shalom! Bem-vindos, amigos!
Sabemos que estão desconsolados por nada trazerem para ofertar.
Mas percebemos que cada um de vós está desejoso de conhecer e amar Jesus.
É possível apresentar melhor dádiva?”
Foram as palavras da Mãe de Jesus…
Abraçámos Maria e José. Beijámos o Menino. Cantámos. Dançámos. Rezámos.
Saímos. Em silêncio. Em paz. Iluminados.
Tínhamos vindo sem presentes. Partíamos com uma Presença.
Fizemo-nos à estrada rumo à nossa terra.
Mas voltámos à vida por “outro caminho”.
Percebes?
Não se passou o mesmo contigo?
P. Carlos Jorge