CRÓNICAS & OPINIÃO

Nasceu em Lisboa, a 27 de janeiro de 1957, sendo o mais velho de cinco irmãos. Frequentou, durante 6 anos, o Curso de Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico. Entrou no Seminário em 1985, tendo sido ordenado Presbítero a 7 de julho de 1991. Além de ser pároco da Amadora, atualmente é também Conselheiro Espiritual de quatro Equipas de Casais de Nossa Senhora (ENS).

Felizes…

03/02/2026

Felizes aqueles cujos nomes não ficarão gravados em parte alguma,
mas deixam a sua marca de beleza e de humanidade em cada palmo de história.
Felizes os amantes da Liberdade, da Bondade, da Justiça,
da Verdade tenazes opositores a todas as ideologias e fundamentalismos.
Felizes os jovens, ‘janela pela qual o futuro entra no mundo’,
que acolhem, com disponibilidade e gratidão, a herança dos mais idosos.
Felizes os estudantes que percorrem o seu itinerário formativo
com um coração íntegro e uma inteligência amanhecida.
Felizes os que assumem incumbências de poder com a paixão de Servir:
não traficam promessas, não negoceiam a honra, não conspurcam a alma.
Felizes os anciãos que vivem, com placidez, o carrego dos anos,
e albergam, nos corações, a fragrância de mil primaveras.
Felizes os que não usam máscaras nem se dissimulam em disfarces,
mas permitem-se ver, com limpidez e recato, na sua genuína imagem.
Felizes os filhos da esperança, irmãos do sonho, companheiros da utopia,
firmes rivais de todos os que nada fazem, não querem fazer, nem deixam fazer.
Felizes as famílias que, nas intempéries das suas relações,
substituem as increpações mútuas pela compreensão e pelo perdão.
Felizes os que não enfatizam o estrondo de uma árvore a tombar,
mas escutam, fascinados, o subtil murmúrio da crescença das outras.
Felizes os crentes que não se refugiam em inexpugnáveis castelos dogmáticos,
mas teimam habitar em frágeis tendas do encontro, do diálogo, da partilha.
Felizes os provados pelo sofrimento e golpeados pelos infortúnios,
que avançam com a ousadia dos santos e o garbo dos triunfadores.
Felizes os que resistem às propostas provisórias, descartáveis, envenenadas,
e alicerçam os pilares da sua vida na terra dos valores com os tons de eternidade.
Felizes os que repudiam o “racismo”, a “xenofobia”, o “etarismo”, o “sexismo”,
e acolhem todos com um sorriso e um abraço semelhantes aos de Deus.
Felizes os buscadores, os que se desprendem das seguranças e dos medos,
e partem para enfrentar o ignoto horizonte que está pela frente.
Felizes os que transportam o mundo inteiro dentro de si, que o amam, que o rezam,
e que “arregaçam as mangas” perante apelos à presença e à solidariedade.
Felizes aqueles que respeitam todos os territórios, não os invadem,
e se empenham no erguimento de pontes entre nações, culturas, religiões, pessoas.
Felizes aqueles que atraem pela sua simplicidade, humildade e empatia,
e comunicam, aos que deles se aproximam, alegria, paz, serenidade, luz, vida.
Felizes os que permitem ao coração responder ao apelo do Céu,
e que permanecem, quando os outros abandonam, e avançam quando todos fogem.
Felizes nós, que nos encontrámos com Jesus, O amamos, O seguimos,
e aqui estamos para O escutar e comer.

Felizes somos nós!