Sagrada Família ou Família Sagrada? 

Sagrada Família ou Família Sagrada? 

Por estes dias o que não falta é a referência à família. Nos anúncios publicitários, diversas são as marcas que retratam, com episódios mais ou menos caricatos e reflexões mais ou menos profundas, várias histórias, tendo como pano de fundo a família. Para além disso, muitos de nós têm por hábito nesta quadra festiva reunir-se com os seus familiares, sejam eles mais ou menos próximos. Seja de que forma for, a família está bastante presente no linguajar e na vivência destes dias.

É também na Oitava do Natal – ou seja, na semana a seguir ao Natal e ainda neste tempo litúrgico – que celebramos a Solenidade da Sagrada Família de Nazaré. Deus entra na História da Humanidade fazendo-se menino, frágil e necessitado de acolhimento, e é recebido numa família humana.

Esta família, a de Maria, José e Jesus, será o “berço” de Cristo e apresenta-se como um exemplo para as nossas famílias. É um exemplo de família que nos ensina mais sobre a qualidade das relações que se estabelecem entre os seus membros do que propriamente sobre os elementos que a compõem.

Não devemos olhar para a Família de Nazaré como um exemplo que nos “esmaga” quando confrontado com a nossa vida e olhando para as nossas fragilidades. Em vez disso, como todos os “modelos” propostos por Deus, este também não tem como objetivo deixar-nos apenas deslumbrados a contemplá-lo como algo inalcançável.

A Sagrada Família convida-nos, antes, a viver, sem peso nem culpa, mas com um olhar misericordioso e de esperança para connosco próprios, por forma a sermos cada vez mais d’Ele e, por isso, mais uns dos outros. O que mais “importa” a Deus – acreditamos nós – é, neste processo de aprendizagem do amor na família, descobri-Lo em tudo o que fazemos e viver, logo aí, a verdadeira felicidade

Mas, afinal, como nos podemos inspirar na Sagrada Família e o que podemos aprender com ela sobre as nossas próprias famílias?

Antes de mais, devemos relembrar que a família não é algo “pré-feito”. Mais do que um mapa, com todos os percursos organizados e claramente definidos, a família deve ser encarada como um caminho, que se vai descobrindo sempre que nos questionamos e à medida que caminhamos. Mais do que um conceito estático, existe na família o dinamismo próprio do Amor. E só assim poderia ser porque a família é o lugar onde circula esse mesmo Amor que envolve todos os seus membros e os incita a serem quem verdadeiramente são, em liberdade!  Não há receitas para criar famílias perfeitas, não há um conjunto de regras que alguém possa escrupulosamente seguir para que uma família seja feliz. A propósito disto, diz-nos José Tolentino Mendonça:

“É um engano dizer: ‘A minha família é uma família tradicional’ – não há famílias tradicionais… Nós olhamos para o Presépio, não há famílias tradicionais, há famílias! Há esse chamamento de amor e de encontro… e isso é vivido numa construção permanente.”

Assim como não é “imóvel”, a família não aprisiona, mas envia. Ela é, simultaneamente, “colo” e “incentivo”. Há, inclusivamente, quem considere que seja uma verdadeira escola de Amor, onde aqueles que dela fazem parte aprendem a amar e como que “ensaiam”, através das relações entre eles, a forma como poderão ser esse Amor no mundo. Mais uma vez, pedimos emprestadas as palavras a José Tolentino Mendonça que, acerca deste aspeto, refere:

“Uma família só se reforça se ela não se torna um projeto fechado, se ela não é uma cápsula, mas é de facto uma escola de amor, uma escola de aprendizagem onde se aprende a amar, onde se aprende a abraçar, onde se aprende a respeitar, onde se aprende a ouvir, onde se aprende a cuidar dos outros…”

Por fim, é importante tomar consciência de que a família não é sagrada por decreto.  Antes, é sagrada na medida em que cada um dos seus elementos a torna sagrada, através da forma como se relaciona e como se encontra com os restantes.  Mais uma vez, pedimos ajuda a José Tolentino de Mendonça para percebermos como. Diz-nos ele que:

“A perceção de que a família é sagrada não é uma coisa da origem. É alguma coisa que nós vamos percecionando ao longo da vida, percebendo o significado daqueles laços onde o amor incondicional circula – é a forma de expressão onde a gratuitidade é a linguagem, a generosidade e a capacidade de dom é o estado permanente. (…) Por isso o ‘sagrada’ não é um adjetivo para ficar ‘lá atrás’, mas é um horizonte de descoberta permanente, de perceção daquilo que é esse tesouro, que é esse património que é a família.

Para a vivência desta solenidade, convidamos-vos a trocar a posição do adjetivo (“sagrada”)! Foquemo-nos menos em olhar para a Sagrada Família como uma família “perfeitinha”. Atrevamo-nos a fazer a nossa parte e transformemos a nossa comunidade familiar, seja ela como for, numa Família Sagrada.

 

Dani & Pássaro

 

Vivência Comunitária de Advento e Natal 2025 – Sagrada Família

Vivência Comunitária de Advento e Natal 2025 – Sagrada Família

SAGRADA FAMÍLIA | Uma família para todos os tempos

Foi numa família real que Cristo se preparou para o ANÚNCIO: “E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 2,52). Cada um aceitou a MISSÃO. José que Lhe deu a linhagem histórica e Maria que O trouxe ao mundo, foram os primeiros a experimentar a CONVERSÃO oferecida a todos. Pela oração veio a vocação de serem família de ESPERANÇA, exemplo seguro para as famílias de hoje.

Nas nossas famílias há solidariedade, união e fraternidade?

Nas nossas famílias há solidariedade, união e fraternidade?

Nestes dias de celebração natalícia, tempo por excelência de reunião familiar e de fortalecimento dos laços familiares, a Igreja convida-nos a contemplar a Família de Jesus, Maria e José. Que vemos? Com que cores nos aparece desenhado este quadro familiar? Sobretudo com as cores da unidade, da solidariedade, da fraternidade, da comunhão. A Família de Nazaré não é uma família “sem problemas”, onde a vida não “dói” e onde tudo é um mar de rosas: é uma família perseguida e ameaçada, que tem de abandonar a comodidade do seu lar para viver na clandestinidade, que enfrenta a pobreza, a privação, a precariedade, talvez a hostilidade da gente da terra onde procurou refúgio… No entanto, é uma família que as vicissitudes e crises não conseguem derrotar. Os membros desta família mantêm-se unidos, solidários, dispostos a enfrentar juntos os riscos e perigos, disponíveis para qualquer sacrifício quando a vida de algum deles está em causa. Não vivem em compartimentos estanques, onde a dor do outro não chega; não se fecham nos seus mundos pessoais, surdos e indiferentes àquilo que se passa à volta… Sentem-se responsáveis pela vida do outro, estão dispostos a dar a vida pelo outro, amam-se verdadeiramente. São assim as nossas famílias? Nas nossas famílias há solidariedade, união e fraternidade? Sentimos os problemas do outro e empenhamo-nos seriamente em ajudá-lo a superar as dores que a vida traz? A nossa família é, apenas, um hotel onde temos (por preço módico) casa, mesa e roupa lavada, ou é um verdadeiro espaço de encontro, de partilha, de construção, de solidariedade, de comunhão, de amor?

A Sagrada Família é uma família onde Deus está quotidianamente presente e é referência fundamental. Ali escuta-se a Palavra de Deus, aprende-se a ler os sinais de Deus, faz-se a experiência do amor de Deus. É na escuta da Palavra de Deus que a família de Nazaré encontra força para vencer as crises e contrariedades; é na escuta de Deus que a família de Jesus, Maria e José consegue discernir os caminhos a percorrer; é na experiência de Deus que a Sagrada Família descobre e acolhe os valores que estão na base do seu projeto familiar… As nossas famílias são famílias construídas à volta de Deus? São famílias onde se aprende a dialogar com Deus e a ver Deus como um Pai bom e cheio de amor? São famílias onde se escuta a Palavra de Deus, onde se aprende a ler os sinais de Deus, onde se procura perceber o que Deus diz? Na organização do nosso projeto familiar, encontramos tempo, espaço e vontade para reunir a família à volta da Palavra de Deus e para partilhar, em família, a Palavra de Deus?

In site dos Dehonianos

Proposta de Vivência para Advento e Natal | Sagrada Família

Proposta de Vivência para Advento e Natal | Sagrada Família

A Sagrada Família é modelo de quem se ajuda mutuamente a descobrir e responder afirmativamente ao plano de Deus. José, Maria e Jesus tinham como fundamento da sua vida o AMOR, experimentado na comunhão sincera, no recolhimento e na oração. Os afectos são sérios, profundos e puros, e o perdão prevalece sobre a discórdia. A dureza diária da vida era suavizada pela ternura mútua e pela serena adesão à vontade de Deus. Abrem-se à alegria de se dar, de se colocar ao serviço, de evangelizar. A Sagrada Família é para todas famílias uma autêntica escola do Evangelho. A família foi designada por Deus a tornar-se uma comunidade de vida e de amor: uma Igreja doméstica que se torna sal da terra, luz do mundo, fermento para toda a sociedade.

Diz-nos o Papa Francisco: “O presépio leva-nos à gruta, onde encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. A sua figura faz pensar no grande mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração imaculado. Ao anúncio do anjo que Lhe pedia para Se tornar a mãe de Deus, Maria responde com obediência plena e total. N’Ela, vemos a Mãe de Deus que não guarda o seu Filho só para Si mesma, mas pede a todos que obedeçam à Sua palavra e a ponham em prática. Ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe, está São José que desempenha um papel muito importante na vida de Jesus e Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família. José trazia no coração o grande mistério que envolvia Maria, sua esposa, e Jesus; homem justo que era, sempre se entregou à vontade de Deus e pô-la em prática. O coração do Presépio começou a palpitar, quando colocámos, no Natal, a figura do Menino Jesus.  Assim Se nos apresenta Deus, num menino, para fazer-Se acolher nos nossos braços. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma.”

PARA PENSAR: Respeito os meus familiares, os meus filhos, os meus pais e irmãos? Protejo-os do que os possa magoar ou pôr em perigo? Respeito as diferenças que possam surgir entre as diferentes gerações ou insurjo-me contra os mais jovens ou mais idosos? Sou afectuoso e gentil e transformo a minha casa num lar onde reina a paz? Apoio a família nas dificuldades ou demito-me das responsabilidades?

GESTO: Escrevo o meu nome de família, o meu apelido, e colo no presépio da minha paróquia.