by Paroquia da Amadora | Mar 28, 2026
A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus apercebeu-Se de que o Pai O chamava a uma missão: anunciar esse mundo novo, de justiça, de paz e de amor para todos os homens. Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina “fazendo o bem” e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos, não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham um coração mais disponível para acolher o “Reino”; e avisou os “ricos” (os poderosos, os instalados), de que o egoísmo, o orgulho, a autossuficiência e o fechamento só podiam conduzir à morte.
O projeto libertador de Jesus entrou em choque – como era inevitável – com a atmosfera de egoísmo, de má vontade, de opressão que dominava o mundo. As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas com a denúncia de Jesus: não estavam dispostas a renunciar a esses mecanismos que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios; não estavam dispostas a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prenderam Jesus, julgaram-n’O, condenaram-n’O e pregaram-n’O numa cruz.
A morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do “Reino”: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam o mundo.
Podemos, também, dizer que a morte de Jesus é o culminar da sua vida; é a afirmação última, porém, mais radical e mais verdadeira (porque marcada com sangue), daquilo que Jesus pregou com palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço.
Na cruz, vemos aparecer o Homem Novo, o protótipo do homem que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Homem Novo vai assumir como missão a luta contra o pecado – isto é, contra todas as causas objetivas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração e morte. Assim, a cruz mantém o dinamismo de um mundo novo – o dinamismo do “Reino”.
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Mar 21, 2026
No próximo dia 29 de março, celebraremos o Domingo de Ramos com Eucaristias nos seguintes horários:
Sábado: 17h (Mina) | 19h
Domingo: 9h30 | 11h | 19h
NOTA: A Eucaristia das 11h30 será às 11h, com procissão em volta da igreja. Haverá bênção dos ramos em todas as celebrações.
by Paroquia da Amadora | Mar 21, 2026
No dia 31 de março, terça-feira, haverá dois momentos para o Sacramento do Perdão:
- Às 10h | Capela de Santo António, com o P. Carlos Jorge
- Às 21h15 | Igreja matriz, com vários sacerdotes.
by Júlia Costa | Mar 21, 2026
Ano após ano, a quaresma chega sempre como um convite a abrandar. Não se trata de reduzir apenas o ritmo exterior, mas também a escutar com maior atenção aquilo que se passa dentro de nós, na relação com os outros e com as suas vulnerabilidades.
Entre os gestos que este tempo propõe, a esmola – a caridade – é talvez o mais discreto e, paradoxalmente, o que mais revela de nós. Não se trata apenas do que damos e a quem damos, mas da forma como olhamos, escutamos e nos deixamos tocar.
Recordo um episódio que me marca até hoje. Era um dia cheio de sol, daqueles em que tudo parece acontecer sem sobressaltos. Apareceu um homem a pedir. Ia de mesa em mesa, passos lentos e um olhar que mais parecia de cansaço, nem tanto de urgência.
As respostas eram quase sempre as mesmas, ditas com uma espécie de boa intenção automática: “Se quiser comer alguma coisa, eu pago. Dinheiro não dou.”
Era dito com convicção, como quem acredita estar a oferecer a solução certa: uma resposta moralmente segura, vinda de quem sabe o que é melhor para os outros.
O homem ouviu aquilo vezes demais. De repente, ergue-se e solta um grito que cortou o burburinho da esplanada: “Comer!… Comer!… Se eu fosse comer sempre que me dizem o mesmo, só comia, não vivia! Quem pede precisa de outras coisas, para além de comer…”
A esplanada ficou em silêncio. Eu levantei a cabeça devagar, quando percebi que o homem se afastava enquanto ia soltando impropérios contra toda aquela plateia de olhos esbugalhados e esgares de desdém.
Senti vergonha. E percebi, no meio daquela cegueira coletiva, o quanto estamos errados no modo como impomos ao outro aquilo que achamos que ele tem de querer.
A esmola não é um ato de controlo, não é decidir pelo outro. Não é moldar a necessidade alheia à nossa medida. É dar – simplesmente dar – permitindo que o outro faça daquilo que recebe o uso que entender, porque a dignidade passa sempre pela liberdade.
Menos imposição, mais escuta; menos suspeita, mais confiança; menos distância, mais encontro. Porque, no fim, a esmola não é apenas aquilo que o outro recebe, é muito mais aquilo em que eu me torno quando dou.
Nesta quaresma talvez valha a pena perguntarmo-nos:
– Quando alguém me pede ajuda, pergunto-lhe o nome? Ou limito-me a despachar o gesto?
– Apresento-me, digo quem sou? Ou mantenho a distância confortável de quem dá sem se envolver?
– Ofereço um sorriso? Ou desvio o olhar para não me comprometer?
– Puxo uma cadeira e convido a sentar? Ou viro a cara, enojado?
A verdadeira caridade nasce quando permitimos que a compaixão tenha a última palavra, deixando cair o julgamento; quando percebemos que o gesto não nos diminui, mas humaniza-nos; quando aceitamos que dar não é resolver a vida de alguém, mas reconhecer no outro um irmão cuja história não nos pertence.
Publicado inicialmente a 18/3/2026
no site do 7Margens
by Paroquia da Amadora | Mar 21, 2026
Há em cada um de nós um desejo insaciável de vida e, por isso, passamos cada instante a lutar por mais e mais vida. Agarramo-nos à ciência e, sobretudo, à medicina para prolongarmos a nossa vida biológica tanto quanto possível. Contudo, apesar de todas as possibilidades que a ciência nos oferece para vencer as dores e enfermidades, deparamo-nos a cada instante com a nossa finitude, os nossos limites, o “tempo curto” da nossa caminhada aqui na terra. Sentimo-nos impotentes diante de uma realidade – a morte – que não podemos controlar e que parece pôr um ponto final nos nossos melhores sonhos, anseios, desejos, projetos e realizações. Porque é que não podemos prolongar para sempre a nossa vida? Porque é que temos de, a certa altura, deixar aqueles que mais amamos? Que vai ser de nós quando se esgotar o nosso tempo aqui na terra? O que podemos fazer diante da realidade da morte? Muitos recusam-se a pensar nestas questões e limitam-se a aproveitar cada instante da existência o melhor possível, sem terem em conta qualquer horizonte futuro. Mas podemos, simplesmente, viver cada dia sem assumirmos uma atitude consciente e responsável sobre o nosso fim último, a realidade que nos espera depois da nossa peregrinação pela terra? Como equacionamos estas questões? Como nos situamos face a elas?
O autor do Quarto Evangelho oferece-nos hoje uma catequese sobre a temática da morte e da vida. A partir dos acontecimentos que enlutaram uma família amiga de Jesus (a morte de um homem chamado Lázaro, um dos membros dessa família), o nosso catequista diz-nos que a nossa vida nesta terra terá um fim e que isso é inevitável. Trata-se de algo que resulta da nossa finitude, dos nossos limites, da nossa debilidade, da nossa condição de criaturas. Mas a incontornável morte biológica não será o nosso fim, a última palavra de Deus sobre nós. Aquilo a que chamamos “morte” será uma espécie de “sono” do qual acordaremos nos braços amorosos do nosso Pai do céu. O crente não sabe mais do que os outros homens, nem tem uns óculos especiais para ver aquilo que os outros homens não conseguem ver; mas o crente aproxima-se da morte física com uma confiança radical na bondade, na misericórdia e no amor de Deus… Portanto, o crente acredita que a morte física não é destruição e aniquilação, mas sim a passagem para Deus, para a vida definitiva. Jesus, depois de dialogar com Marta, irmã de Lázaro, sobre esse horizonte de eternidade, perguntava-lhe: “acreditas nisto?” E nós, acreditamos nisto?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Mar 14, 2026
O fruto da nossa renúncia deste ano será destinado a pessoas e instituições que foram afetadas pelas tempestades que assolaram Portugal.
Devemos colocar o valor da renúncia num envelope fechado. Usamos os que estão disponibilizados na mesa no fundo da igreja, ou outro, identificando-o com “Renúncia Quaresmal”, e entregá-lo no ofertório das Eucaristias ou no cartório paroquial.