by Paroquia da Amadora | Nov 8, 2025
Jesus denunciou, nos átrios externos do templo de Jerusalém, uma religião estéril e mentirosa, construída à volta de um folclore de gestos que Deus não apreciava e que, afinal, não mudavam o coração dos crentes. Qual é o verdadeiro culto que Deus espera de nós? Ao contrário do que possamos pensar, Deus não aprecia os nossos rituais litúrgicos cheios de pompa e circunstância que, no entanto, acabam por ser “uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma”, pois não têm implicações na nossa vida nem alteram a nossa forma de estar no mundo. O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossuficiência para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do estrangeiro, do doente, estamos a dar a resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para connosco. Que culto prestamos a Deus?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Nov 1, 2025
A Celebração dos fiéis defuntos é uma solenidade que tem um valor profundamente teológico, porque chama a atenção para todo o mistério da existência humana, das suas origens até ao fim e para além também. A novidade introduzida pela fé é a esperança: nós cristãos acreditamos num Deus, que não é apenas Criador, mas também Juiz. Logo, Deus é também é um Juiz! O seu juízo vai para além do tempo e do espaço, numa vida após a morte e na vida eterna, na qual o Reino de Deus se realiza plenamente. O julgamento do Senhor será duplo: além de responder individualmente às nossas ações, no fim dos tempos, seremos chamados a responder-lhes também como humanidade. Se morrermos em Cristo, porque vivemos a nossa vida em comunhão com Ele, seremos admitidos na Comunhão dos Santos.
A morte é um acontecimento inevitável. Cada um de nós pode entender isto pela própria experiência pessoal. Segundo a visão cristã, porém, não é considerada um facto natural. Pelo contrário, é o oposto da vontade de Deus! Graças à vitória de Cristo sobre a morte, podemos superar o medo que temos dela e a dor que sentimos quando atinge alguém que está próximo de nós. Enfim, para o cristão, não há distinção entre vivos e mortos, porque nem os mortos são “mortos”, mas “defuntos”, ou seja, “privados das funções terrenas”, à espera de serem transformados pela Ressurreição.
In Vatican News
by Paroquia da Amadora | Out 25, 2025
A parábola do fariseu e do publicano não é sobre viver bem ou viver mal, realizar boas obras ou realizar más obras, ter comportamentos corretos ou ter comportamentos incorretos em relação à Lei religiosa, ou civil; mas é sobre a atitude do homem — de qualquer homem, independentemente das suas ações — face a Deus. Um dos protagonistas — aquele que pertence ao partido dos fariseus — apresenta-se diante de Deus cheio de si próprio, seguro dos seus méritos, plenamente satisfeito com aquilo que é. A sua atitude diante de Deus é de orgulho e de autossuficiência: ele não precisa dos favores de Deus, pois tem feito tudo aquilo que lhe compete fazer e ainda mais. O outro — o cobrador de impostos — sente-se indigno e pecador, pois sabe que a sua vida está marcada pela ganância e pelas inúmeras injustiças que cometeu contra os seus irmãos. Está consciente de que só a misericórdia de Deus o poderá resgatar de uma vida suja e maldita. Reconhece a sua fraqueza e coloca-se humildemente nas mãos de Deus. Jesus, ao contar esta parábola, deixa claro qual é a atitude que o verdadeiro crente deve assumir diante de Deus. Independentemente das nossas boas ou más ações, com qual destes homens nos identificamos? Quando nos apresentamos diante de Deus e Lhe falamos da nossa vida, o que Lhe dizemos? Sentimos que a balança que contém os nossos méritos e os nossos débitos está claramente inclinada a nosso favor? Ousamos lembrar a Deus o nosso “comportamento exemplar” (que nem sempre é assim tão exemplar) e ficamos à espera que Ele nos pague convenientemente?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Out 18, 2025
Como interpretar esta parábola? Onde é que Jesus quer chegar? A explicação vem logo a seguir. Jesus pede aos seus ouvintes que façam um esforço e que comparem o juiz injusto com Deus: “Escutai o que diz o juiz iníquo! E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa”. É claro que Jesus não está a dizer que Deus é, como o juiz da parábola, alguém prepotente e injusto. Está a garantir-nos que Deus não fica indiferente às nossas súplicas: se até um juiz sem coração é capaz, apesar da sua relutância, de atender os pedidos de uma viúva sem poder nem influência, Deus – que é justo, que tem coração, que defende sempre os pobres e débeis, que ama os seus filhos com amor de pai e de mãe – não será capaz de escutar o que Lhe dizemos e não fará tudo para corresponder aos pedidos que Lhe fazemos?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Out 10, 2025
Aqueles dez leprosos que esperavam Jesus à entrada de uma povoação situada “entre a Samaria e a Galileia” são a imagem de uma humanidade que se arrasta pelos caminhos da vida, ferida pela miséria, pela marginalização, pela solidão, pela indiferença dos seus irmãos; são a imagem de tantos homens e mulheres magoados, atirados para as bermas da vida e da história, que não encontram resposta para os seus males nas estruturas oficiais de apoio e que parecem condenados a terminar em becos sem saída; são a imagem daqueles que se sentem sujos pelo pecado, pelas opções erradas, por faltas que lhes pesam na consciência e que lhes parecem sem perdão. Para todos esses, o evangelista Lucas tem uma Boa Notícia: Deus não os abandona, Deus não os esquece, Deus olha-os com “compaixão”, Deus quer salvá-los. Jesus traz-lhes uma proposta de salvação, vinda de Deus. Para ficarem limpos dessa “lepra” que lhes rouba a vida, a dignidade e a capacidade de viverem como seres humanos, devem encontrar-se com Jesus, escutar a Sua Palavra, seguirem em frente na direção que Ele indicar. Algures ao longo do caminho irão reencontrar a sua dignidade, a sua humanidade e tornar-se-ão pessoas novas. Todos nós que, em tantos momentos da nossa vida, nos sentimos sujos, feridos, doentes, indignos, marginais, estamos dispostos a ir ter com Jesus, a acolher as indicações que Ele tem para nos dar, a percorrer um caminho de transformação e de conversão que nos leve em direção a uma vida nova?
In site dos Dehonianos
by Paroquia da Amadora | Out 6, 2025
A “fé” é, antes de mais, a adesão à pessoa de Jesus Cristo e ao seu projeto. Posso dizer, de facto, que é a “fé” que conduz e que anima a minha vida? Jesus é o eixo central à volta do qual se constrói a minha existência? É Jesus que marca o ritmo e a cor das minhas opções e dos meus projetos.
O “Reino” é uma realidade sempre “a fazer-se”; mas apresentam-se, com frequência, situações de injustiça, de violência, de egoísmo, de sofrimento, de morte, que impedem a concretização do “Reino”. Como é que eu — homem ou mulher de fé — ajo, nessas circunstâncias? A minha “fé” em Jesus conduz-me a um empenho concreto pelo “Reino” e entusiasma-me a lutar contra tudo o que impede a concretização do “Reino”? A minha “fé” nota-se nos meus gestos? Há algo de novo à minha volta pelo facto de eu ter aderido a Jesus e pelo facto de eu estar a percorrer o “caminho do Reino”? Quais são os “milagres” que a minha “fé” pode fazer?
Nós, homens, somos, com frequência, muito ciosos dos nossos direitos, dos nossos créditos, daquilo que nos devem pelas nossas boas ações. Quando transportamos isto para a relação com Deus, construímos um deus que não é mais do que um contabilista, que escreve nos seus livros os nossos créditos e os nossos débitos, a fim de nos pagar religiosamente, de acordo com os nossos merecimentos… Na realidade — diz-nos o Evangelho de hoje — não podemos exigir nada de Deus:
existimos para cumprir, humildemente, o papel que Ele nos confia, para acolher os seus dons e para O louvar pelo seu amor. É nesta atitude que o discípulo de Jesus deve estar sempre.
In site dos Dehonianos