A modernidade criou-nos grandes expectativas de progresso, de emancipação individual, de realização pessoal, e prometeu-nos um futuro de liberdade e felicidade através da razão, da ciência e da tecnologia. Disse-nos que tinha na manga a resposta para todas as nossas procuras e que podia responder a todas as nossas necessidades. Garantiu-nos que a vida verdadeira estava na liberdade absoluta, numa vida vivida sem o controlo de Deus; disse-nos que os avanços científicos e tecnológicos iriam tornar a nossa existência cómoda, eliminar a doença e protelar a morte; afirmou que a nossa segurança estava numa conta bancária recheada, no reconhecimento social, no êxito profissional, na adesão às indicações dos líderes de opinião, na conformação com o movimento geral das massas… No entanto, todas as nossas vitórias e conquistas não conseguem calar a nossa sede de eternidade, de plenitude, dessa “mais qualquer coisa” que nos falta para sermos, realmente, felizes e para nos sentirmos plenamente realizados. A afirmação essencial que o Evangelho de hoje faz é: só Jesus Cristo oferece a água que mata definitivamente a sede de vida e de felicidade do homem. Precisamos de escutar Jesus e de abraçar o seu projeto. O que pensamos disso? O que é que Jesus significa para nós? Ele é “a água” sem a qual não conseguimos viver? A sua proposta sacia a nossa sede de vida? O que é preciso para conseguirmos que os homens do nosso tempo aprendam a olhar para Jesus e a tomar consciência da proposta de vida plena que Ele oferece a todos?
“Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva” – diz Jesus à mulher samaritana. A “água viva” de que Jesus fala evoca imediatamente em nós a fonte batismal. Para cada um de nós, o dia do nosso batismo foi o começo de uma caminhada com Jesus… Nesse momento aderimos a Jesus e à vida que Ele oferece, acolhemos em nós o Espírito que transforma, que renova, que nos capacita para vivermos como “filhos de Deus” e que nos leva ao encontro da vida plena e definitiva. Depois disso, percorremos um caminho, fizemos opções, elegemos valores sobre os quais fundamentamos a nossa vida. A nossa vida tem sido verdadeiramente coerente com as opções que fizemos no dia em que recebemos o batismo? Temos procurado deixar-nos conduzir pelo Espírito? O compromisso que assumimos no dia em que fomos batizados é uma realidade que continua a marcar a nossa vida, os nossos gestos, os nossos valores, as nossas opções?
In site dos Dehonianos



