A espiritualidade do Natal

A espiritualidade do Natal

A liturgia do Natal apresenta acentos de ternura na contemplação do mistério da Encarnação e do Nascimento do Senhor. Mas não se deixa invadir pelo sentimentalismo de algumas expressões da religiosidade popular. A Igreja celebra o Mistério do Natal na fé. Contempla o Verbo Encarnado, Jesus Menino, à luz da Páscoa. A carne por Ele assumida em Maria é a mesma que há de sacrificar, para nossa salvação na Páscoa.

O tema de Cristo Luz do mundo é também importante, sobretudo na celebração da meia-noite. Já a comunidade cristã, em princípios do século II, celebrava o Mistério junto à gruta de Belém onde Cristo, Luz do mundo, nasceu no meio da noite. Era uma celebração à luz de círios e de tochas. Depois, a comunidade dirigia-se para Jerusalém, a 8 quilómetros de distância, e aí celebrava a Eucaristia. A dimensão litúrgica da luz foi acolhida em Roma, no século IV, onde, no solstício de Inverno, os pagãos celebravam o Sol invicto. S. Máximo de Turim recorda: “O povo chama Sol novo (ao Natal) e com tanta autoridade o confirma, que até os judeus e os pagãos estão de acordo; devemos aceitar de boa mente esta perspetiva, porque, ao nascer o Salvador, não só se renova a salvação do género humano, mas também o esplendor do próprio Sol”. Esta ideia levou a Igreja a integrar na liturgia elementos bíblicos como: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz…” (Is 9,2) e “a glória do Senhor envolveu-os de luz“(Lc 2,9). O Prefácio I de Natal canta: “Nova luz brilhou sobre nós.” É a luz de Cristo, a luz da Revelação, a luz da Fé.

O Natal celebra também o início da restauração cósmica e o dom da Paz. O Verbo Encarnado une-se à natureza humana e, nela, de algum modo, a todas as criaturas. Começam a normalizar-se as relações dos homens com Deus, consigo mesmos, entre si e com a criação, relações quebradas pelo pecado. A Humanidade e a Criação participam na alegria do nascimento do Salvador e sentem a necessidade de corresponder a essa iniciativa amorosa de Deus. Canta um hino bizantino:

“Que havemos de oferecer-Te, ó Cristo, por teres vindo à terra feito homem, por nós? Cada uma das criaturas, criada por Ti, te oferece uma oblação de ação de graças. Os Anjos oferecem-Te o seu cântico, o céu o seu astro; os Magos os seus presentes; os pastores a sua admiração; a terra a sua gruta; o deserto a manjedoira. E nós, que vamos oferecer-Te? Oferecemos-Te a Virgem Mãe”.

A nossa salvação foi iniciativa do Pai, com a disponibilidade de Verbo: Eis-me aqui! Mas também com a disponibilidade de Maria: Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra. Com o “faça-se em mim” da Virgem de Nazaré, começou a obra da nossa salvação, com a restauração do Cosmos e da História. Como canta o Martirológio Romano, “o Verbo santifica o mundo com a sua piíssima vinda”. O Prefácio II de Natal afirma: “No mistério do seu nascimento. Aquele que, por sua natureza, era invisível tornou-Se visível aos nossos olhos. Gerado desde toda a eternidade, começou a existir no tempo, para renovar em Si a natureza decaída, restaurar o universo e reconduzir ao reino dos céus o homem perdido pelo pecado.”

É a “admirável troca” (admirabile commercium), que está no vértice da teologia e da espiritualidade do Natal. É o misterioso intercâmbio que nos redimiu: o Verbo fez-se carne e a quantos O receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1, 11-12). O Filho de Deus assumiu a natureza humana para que o homem pudesse participar da natureza divina. É o grande princípio da graça e da santidade cristã, que se torna dinamismo eficaz em nós por meio do Batismo, quando, de criaturas de Deus, nos tornamos seus filhos e membros de Cristo. O Natal é também festa da dignidade do homem. O amor de Deus abriu-nos uma possibilidade impensável:

“O Verbo faz-se homem por nós, dá a sua vida por nós; eleva-nos à união íntima com Ele e trata-nos como os seus amigos mais queridos… Como tudo é comum entre o Pai, o Espírito Santo e o Filho, cabeça do Corpo Místico, do qual somos membros, tornamo-nos participantes da vida divina e, de algum modo, da natureza divina.” (Padre Dehon).

O Natal tornou-se uma festa cultural celebrada em grande parte do mundo, mesmo pelos não cristãos. É a festa da fraternidade, da família e da paz. Tudo isso é belo e bom. Mas, para nós, cristãos, o Natal é a festa do Filho de Deus que, por nosso amor, assumiu carne humana em Maria, para encarnar em todos nós, transformar-nos à sua imagem e fazer evoluir o nosso mundo segundo o projeto do Pai. Por isso, havemos de celebrá-lo no íntimo dos nossos corações, na alegria das nossas comunidades, no calor das nossas famílias, tomando consciência da dignidade de todos os homens, em cujas veias, depois da Encarnação, circulam cromossomas de Deus.

 

Proposta de Vivência para Advento e Natal | Epifania

Proposta de Vivência para Advento e Natal | Epifania

O nosso percurso ao encontro do Senhor, manifesta-se hoje como luz e salvação para todos os povos através dos Magos. Eles veem a estrela, que simboliza a luz da revelação divina, põem-se a caminho e oferecem presentes a Jesus. Os Magos eram muito atentos aos sinais e no seu íntimo sabiam que Deus lhes mostraria um deles: a estrela. Impulsionados pelo Espírito Santo, põem-se a caminho para ir ao encontro de Jesus e Jesus deixa-se encontrar, deixa-se encontrar sempre por quem O procura, mas, para O encontrar é preciso mover-se, fazer caminho. Para encontrar o Menino é preciso arriscar, mas, ao encontrar aquele Menino, ao descobrir a sua ternura e o seu amor, encontramo-nos a nós mesmos. Jesus está ali para oferecer a vida, os Magos oferecem o que carregavam nas mãos e nos seus corações. O Evangelho está cumprido quando o caminho da vida chega à doação. Dar gratuitamente, por amor do Senhor, sem esperar nada em troca: isto é sinal certo de ter encontrado Jesus, que nos diz “recebeste de graça, dá de graça.” Ele, que se fez pequenino por nós, pede-nos para oferecermos algo pelos seus irmãos mais pequeninos, que são aqueles que não têm com que retribuir. Olhemos as nossas mãos, muitas vezes vazias de amor e procuremos pensar num presente gratuito que possamos oferecer.

Diz-nos o Papa Francisco: “Os Magos ensinam que se pode partir de muito longe para chegar a Cristo: são homens ricos, estrangeiros sábios, sedentos de infinito, que saem para uma viagem longa e perigosa e que os leva até Belém. À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-Lo. Diante d’Ele compreendem que Deus, tal como regula com soberana sabedoria o curso dos astros, assim também guia o curso da história,
derrubando os poderosos e exaltando os humildes.”

PARA PENSAR: Olhemos as nossas mãos, estão vazias ou cheias de amor? O que tenho eu para dar a quem precisa de amor? Procuro pensar em presentes gratuitos que possa oferecer a alguém? Ofereço sorrisos e abraços? Dou do meu tempo aos outros?

GESTO: Escrevo qual foi o presente mais bonito que recebi e colo no presépio da minha paróquia.

Proposta de Vivência para Advento e Natal | Sagrada Família

Proposta de Vivência para Advento e Natal | Sagrada Família

A Sagrada Família é modelo de quem se ajuda mutuamente a descobrir e responder afirmativamente ao plano de Deus. José, Maria e Jesus tinham como fundamento da sua vida o AMOR, experimentado na comunhão sincera, no recolhimento e na oração. Os afectos são sérios, profundos e puros, e o perdão prevalece sobre a discórdia. A dureza diária da vida era suavizada pela ternura mútua e pela serena adesão à vontade de Deus. Abrem-se à alegria de se dar, de se colocar ao serviço, de evangelizar. A Sagrada Família é para todas famílias uma autêntica escola do Evangelho. A família foi designada por Deus a tornar-se uma comunidade de vida e de amor: uma Igreja doméstica que se torna sal da terra, luz do mundo, fermento para toda a sociedade.

Diz-nos o Papa Francisco: “O presépio leva-nos à gruta, onde encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. A sua figura faz pensar no grande mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração imaculado. Ao anúncio do anjo que Lhe pedia para Se tornar a mãe de Deus, Maria responde com obediência plena e total. N’Ela, vemos a Mãe de Deus que não guarda o seu Filho só para Si mesma, mas pede a todos que obedeçam à Sua palavra e a ponham em prática. Ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe, está São José que desempenha um papel muito importante na vida de Jesus e Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família. José trazia no coração o grande mistério que envolvia Maria, sua esposa, e Jesus; homem justo que era, sempre se entregou à vontade de Deus e pô-la em prática. O coração do Presépio começou a palpitar, quando colocámos, no Natal, a figura do Menino Jesus.  Assim Se nos apresenta Deus, num menino, para fazer-Se acolher nos nossos braços. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma.”

PARA PENSAR: Respeito os meus familiares, os meus filhos, os meus pais e irmãos? Protejo-os do que os possa magoar ou pôr em perigo? Respeito as diferenças que possam surgir entre as diferentes gerações ou insurjo-me contra os mais jovens ou mais idosos? Sou afectuoso e gentil e transformo a minha casa num lar onde reina a paz? Apoio a família nas dificuldades ou demito-me das responsabilidades?

GESTO: Escrevo o meu nome de família, o meu apelido, e colo no presépio da minha paróquia.

Temos sido mensageiros da paz que Jesus veio oferecer ao mundo?

Temos sido mensageiros da paz que Jesus veio oferecer ao mundo?

Estamos na última etapa do “caminho do advento”. Nestes dias que antecedem a celebração do Natal tendemos a ser apanhados pela azáfama dos preparativos para a festa, pela corrida às “prendas”, pelo protocolo dos desejos de boas festas, pelo “ruído de fundo” das luzes, dos spots comerciais, das músicas natalícias; e, no meio dessa onda de futilidade que nos submerge e que nos arrasta, podemos perder de vista o Deus que vem ter connosco. Ora, aquelas duas mulheres grávidas de esperanças – Maria e Isabel – que Lucas coloca no centro do Evangelho deste domingo convidam-nos a centrar a nossa atenção no menino que está para chegar e a acolhê-lo convenientemente: com o amor, com a alegria, com a gratidão, com o espanto que elas sentiram diante da visita de Jesus. Jesus é o centro da história da salvação, a realização plena das promessas de Deus, o “Senhor” da história (o “Kyrios”) que vestiu a nossa humanidade para nos trazer a paz. Estamos focados n’Ele? No nosso coração e na nossa vida há lugar para Ele?

Maria, depois de receber o chamamento de Deus e de aceitar ser a mãe do “Filho do Altíssimo”, pôs-se a caminho. Não fica fechada na sua casa, mergulhada na contemplação do seu estatuto de mãe de um menino que vai herdar “o trono de seu pai David” e que “reinará eternamente sobre a casa de Jacob” (Lc 1,32-33), como lhe disse o mensageiro de Deus. Transportando o Messias prometido, ela torna-se mensageira da paz. Habitada por notícias felizes, Maria faz-se “evangelizadora”. Ela leva o “Evangelho” ao encontro daqueles que esperam ansiosamente a Boa notícia da chegada libertadora de Deus. É assim que ela prepara o nascimento daquele menino que vem mudar o curso da história dos homens. Nestes dias que antecedem a celebração do nascimento de Jesus, temos sido mensageiros da paz que Jesus veio oferecer ao mundo e aos homens? Temos sido arautos da Boa notícia da chegada da salvação?

In site dos Dehonianos

Missa Rorate | 21 dez., 22h | Igreja matriz

Missa Rorate | 21 dez., 22h | Igreja matriz

Missa Rorate ou missa de acolhimento do Natal é assim chamada devido ao canto de entrada com um versículo do Livro de Isaías Rorate coeli desuper.

A sua origem pode ser encontrada no século XV nos países alpinos. Inicialmente, a Missa Rorate era uma missa votiva em honra de Maria (Mãe de Jesus) e era celebrada nos sá- bados de Advento. Foi também chamada “ofício angélico”, porque se lia o Evangelho da Anunciação.

A principal característica da Missa Rorate é que se celebra à luz de velas, pouco antes do amanhecer, para que, no fim da celebração, raios de sol adentrem à Igreja simbolizando o movimento da escuridão das trevas para a luz de Jesus Cristo.

Os que desejarem participar devem trazer vela (com copo, para evitar derramar cera no chão e nos bancos, cuja limpeza é difícil). Haverá velas à venda.