Queremos abraçar o essencial?

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Mateus parece fascinado com esse facto extraordinário que é Deus acercar-se dos homens para estar com eles e para fazer caminho com eles. Recupera mesmo uma antiga profecia de Isaías para nos apresentar o Menino que vai nascer de Maria como o “Emanuel”, o “Deus connosco”. Há, efetivamente, algo de absolutamente maravilhoso nesta história de um Deus que se despe de todas as suas prerrogativas divinas e se “veste” do barro débil de que somos feitos, que entra no nosso mundo pela porta da humildade e se aproxima de nós com a ternura de uma criança, que aceita sofrer lado a lado connosco as dores que marcam o caminho dos homens e que enfrenta a morte para nos dar vida… E porque é que Deus se dispõe a fazer esse caminho descendente e a incarnar na nossa história? Simplesmente porque nos ama e quer oferecer-nos a sua salvação. Preparamo-nos para celebrar, nos próximos dias, o nascimento desse Menino, do Emanuel, do Deus que vem ter connosco para ficar connosco e para caminhar connosco. Estamos preparados para o acolher? Ele tem lugar na nossa vida, não apenas no dia de Natal, mas em todos os dias do ano? Estamos dispostos a acolher a salvação que Ele nos traz?

Vivemos nestes dias imersos num ruído de fundo que nos deixa pouco espaço para preparar o encontro com o Senhor… É o folclore das prendas “obrigatórias”, as luzes que piscam nas ruas e nas nossas “árvores de natal”, as músicas natalícias mil vezes repetidas, as tradições familiares que fazemos questão de respeitar, os petiscos tradicionais que é necessário preparar, os artefactos que a sociedade de consumo nos impõe, o cenário superficial e manipulado que nos espera sempre que entramos num centro comercial… Como conseguiremos descobrir, por trás de tanta superficialidade e aturdimento o mistério do Deus que vem ter connosco, do bebé chamado Jesus (“Deus salva”) que vem amorosamente trazer-nos uma proposta de salvação? Passaremos ao lado do Natal de Jesus se não conseguirmos fazer silêncio no nosso coração, abrir o coração ao mistério de um Deus que se aproxima de nós, saborear profundamente a chegada desse Deus Amigo que vem visitar-nos e quer encontrar lugar na nossa vida e no nosso coração. Ainda estamos a tempo: queremos, neste Natal, atirar para segundo plano as coisas supérfluas e abraçar o essencial, o Menino de Belém?

In site dos Dehonianos