Em finais do século XIX, a Igreja, em França, estava seriamente preocupada com a educação dos jovens e com a sua formação cristã.
Ao chegar a S. Quintino, em novembro de 1871, o Padre Leão Dehon, iniciou um trabalho notável em favor dos operários e suas famílias, dos patrões e dos jovens, procurando dar a todos formação humana, cristã, social e cívica, com o conhecimento da Doutrina Social da Igreja. O jovem sacerdote começou pela catequese. Era ainda muito forte a influência dos chamados “filhos da Revolução” (1789-1799), que não tinham recebido formação religiosa adequada e que, por isso, pouco sabiam da fé e da sua prática. Para a grande maioria dos batizados, a primeira comunhão era também a última.
Em 1873, o Padre Dehon lançou a Obra de S. José, para apoio e formação dos operários e cuidar das suas famílias, concretamente dos seus jovens. Em 1877, cria o Colégio S. João, para a educação e formação da juventude burguesa.
O Colégio S. João tornou-se um importante centro de formação para os jovens, futuros empresários e patrões. Além dos estudos curriculares, o Padre Dehon organizou diversas associações, como a Conferência de S. Vicente de Paulo para iniciar os jovens no apostolado da caridade, a Congregação Mariana para fomentar neles o amor a Maria, e as Obras da Propagação da Fé e da Santa Infância para incutir nos alunos o espírito missionário. Para desenvolver neles a capacidade da escrita e a arte do jornalismo, criou L’Aigle de St-Jéan, uma pequena revista semanal manuscrita e litografada. Muitos desses jovens participaram em congressos organizados pelo Padre Dehon para estudo das questões sociais da época: “Foram jornadas memoráveis, entusiastas, luminosas, que não se podem esquecer. Foi um pequeno concílio, um concílio de jovens”, escreveu o Fundador ao referir-se a um desses congressos. Num artigo intitulado “Espaço aos jovens e à democracia cristã!”, publicado em outubro de 1901, Leão Dehon pede aos jovens seminaristas que não se perturbem nem se assustem com “dois ou três sacerdotes ou cónegos idosos, atrasados três quartos de século”, que não aprovam ou não veem utilidade nas iniciativas sociais. E conclui: “Tendes convosco o Papa (Leão XIII); isso vos basta!”.
Em 1880, a Obra de S. José servia quase 600 pessoas, crianças, jovens e adultos. Era a iniciativa social mais importante da diocese para apoio dos operários e das suas famílias. Dispunha de Capela, salas de jogos, biblioteca, espaços de recreio, ginásio, de uma Caixa de Poupança para os operários e até de uma cooperativa para a construção de habitações. Havia Orfeão, formação pré-militar, teatro. O Padre Dehon fazia palestras, contava histórias e falava das suas viagens, procurando dar úteis ensinamentos para a vida de todos. Para a sua formação cristã promoveu diversas associações como a Congregação de Maria, o Apostolado da Oração e a Liga do Sagrado Coração de Jesus. Organizava Peregrinações a santuários, como o de Liesse, dedicado a Nossa Senhora da Alegria. Para a formação cultural, social e cívica dos estudantes pré-universitários, Dehon criou, em 1875, o Círculo José de Maistre. Propunha-lhes o estudo da organização do trabalho nas fábricas e oficinas de São Quintino, bem como das iniciativas das instituições da cidade em favor dos operários e dos outros trabalhadores. Cada um devia documentar-se para redigir um estudo e apresentá-lo aos mais novos e aos mais velhos da Obra, de modo criativo. O Padre Dehon também iniciava os jovens na arte do teatro, ensaiando, ele mesmo, algumas peças e promovia saraus musicais.
Aos empresários e patrões, Leão Dehon exigia liberdade para a prática da fé e do bem nos ambientes de trabalho. Em janeiro de 1877, dizia-lhes: “Por favor, senhores, dai liberdade a Deus e ao bem nos vossos ambientes de trabalho.”
O jovem sacerdote agia em favor dos rapazes e dos homens, mas também em favor das raparigas e das mulheres, obrigadas a trabalhos demasiado duros e desgastantes nas fábricas e nos serviços. Preocupava-se com as suas habitações, muitas vezes coletivas e precárias, e combatia o seu recrutamento para os bordéis de Paris.
O Padre Leão Dehon gastou muito do seu património na Obra de S. José e no Colégio São João. Não se pode dizer que tenha sido completamente original nas suas iniciativas, outros sacerdotes e leigos tinham lançado obras idênticas, mas o Padre Dehon imprimia nas suas obras o seu carisma e a sua opção pela cordialidade e pelo amor. Na relação com os jovens, evitava medidas repressivas e punitivas, agindo com uma pedagogia fundada nos valores da escuta, da confiança, da paciência e da proximidade. As suas propostas para mudar a sociedade consistiam em alertar as consciências, para correção das injustiças e para construção de uma sociedade nova caraterizada pela justiça e pelo amor. Por isso, ficou conhecido entre todos como Le trés bom Père.



